Onde é que ficámos, mesmo?
Devaneios, realidades, utopias ou sonhos?
Podia dedicar-te algo, uma música, um poema. Mas não pretendo palavras alheias. Quero que, além de sentires quando estás diante de mim, saibas e tenhas as minhas palavras gravadas na tua mente.
O tempo vai passando devagar, demasiado devagar. Devia correr de forma vertiginosa para que eu não conseguisse sequer lembrar-me de ti. Mas isso não ocorre, é como que propositadamente demorado para que me lembre de tudo e com todos os detalhes, tudo o que vivemos. O bom, o menos bom. Não sei é correcto manter-me neste limbo quando sei e sinto no fundo que vou acabar num abismo.
Marcaste-me. Para sempre. Nunca, jamais vou conseguir esquecer-te. És tudo, numa medida que por mais errada que possa parecer, é perfeita. Sinto a tua falta, fico com a respiração como que suspensa até te ver novamente. Sinto aquela necessidade de atirar tudo no vazio e correr para ti, mas não o faço. Amo por demais a sensação de sentir a tua falta, mais do que o querer estar do teu lado todos os dias, correndo o risco de perder esta sede de ti.
... para mim. Cabeça, tronco e membros. Não quero palavras alheias, quero as tuas. Quero um cenário idealizado por ti, uma noite, um dia, várias noites, vários dias. Mostra-me o quanto me desejas, o quanto me queres. Quero ler-te. O email está aí no lado direito. Quando me escreveres, publicá-lo-ei aqui.
Sinto falta da costa vicentina. Sinto falta do teu beijo. Sinto falta do teu toque. Sinto falta do teu abraço. Sinto falta das tuas palavras. Sinto falta do teu corpo colado ao meu. Sinto falta do teu sorriso. Sinto falta dos teus gemidos. Sinto falta do teu calor no meu corpo. Sinto falta do que ainda não me deste. Sinto falta do nós. Quero-te cada vez mais. A minha decisão foi tomada.
Tudo dito e tanto por dizer. Senti o peito apertado, depois a rebentar de angústia. Senti o chão fugir-me debaixo dos pés, a cabeça zonza. Mas não tombei. Continuo aqui, de cabeça erguida e nada mudou. A minha felicidade é a minha prioridade. Nunca jamais permitirei que me atrasem. A Alice continuará a Alice, hoje e sempre. Irás aparecer no meu palácio e logo decidirei o que fazer contigo. Se valerá a pena manter-me exclusiva e insana. Se será preferível andar louca ao sabor das marés. Terás de me mostrar o que pretendes e fazer valer muito bem o teu desejo. Mas que sejas breve. Não vou esperar para sempre.
Onde está a minha insanidade? Cansa-me toda a racionalidade de assuntos sérios. Quero apenas viver e tirar o maior partido da minha vida. Estás comigo? Muito bem, mas jamais me atrases. Não coloco a minha felicidade em espera. Tudo o que desejo e quero, é para ontem. Tudo o que me dá prazer, é para ontem.
Seguimos para o restaurante do Hotel. Chegámos recentemente após algumas paragens pelo caminho e resolvemos jantar após o check in. Sigo à tua frente. Estou vestida para a ocasião, blusa de seda negra, saia justa ligeiramente acima do joelho com abertura pronunciada atrás até quase à côxa, sapato de tacão alto. Acrescentei o tom vermelho nos lábios e eye liner nos olhos.
O dia corre devagar. Entretenho a mente ocupando-me com funções vulgares e obrigatórias do dia-a-dia, mas assaltas-me o pensamento quando menos o espero. Sinto ondas de calor a invadirem-me o peito, que se distendem progressivamente por todo o meu corpo mas sacudo-as rapidamente na vã tentativa de me manter sóbria no que tento desempenhar.
Recordo o teu toque, que me deixa inundada em desejos. Recordo as tuas palavras sempre provocadoras, que quase me fazem perder o controlo. Provocas-me adrenalina em todo o meu ser, passo com os dedos suavemente no meu corpo, relembrando cada toque, cada beijo. Estou completamente incendiada e o teu sorriso, a forma como fazes transbordar desejo por todos os meus poros. Anseio por te ter novamente, beijar-te todo o corpo passando com a língua em todo o lado. Quero ouvir-te gemer, quero sentir-te tremer sempre que te provoco e te aperto em mim. Quero ser má, uma vez, várias vezes. Fazê-lo sem horas marcadas nem tempos contados. Quero sentir-me arrepiada por me tomares de pé contra a parede, por me virares de costas para ti e me acariciares em todo o lado. Quero tomar-te em qualquer lugar, já que me sinto quase insana com o teu toque. Sim, sou-te exclusiva mas... onde estás?
Quem és? Dás-me sensações únicas, sinto-me no auge de tão especial. Mas rapidamente caio por terra quando vejo que no momento seguinte tudo muda. Sinto-me vendada. Vivo o dia de hoje com a maior intensidade possível, querendo ter o melhor de tudo e sorrindo sempre. Como consegues ter a capacidade de me tirar tudo aquilo que me tem deixado feliz?
Será possível que os homens em geral, não tenham a capacidade de surpreender na cama? Regra geral falam e acontecem, mas na hora H, fazem o que têm a fazer e nem tão pouco se apercebem se a mulher gosta ou não. Existe sempre algum prazer na mulher, mas na sua maioria o homem trata de si e se a mulher mentir indicando que foi maravilhoso, ele nem sabe que ela está a mentir.
Ouvir-te gemer de prazer é das coisas mais maravilhosas da vida. Oiço o meu nome sussurrado no meu ouvido, "Alice...!" - e deleito-me com algo tão simples quanto isso. Provocas-me e eu gosto. Sinto a paixão a subir dentro de mim, num acumular de desejos súbitos.
Tento afastar-me de ti, és uma tentação complicada. Fico tempos sem te ver na esperança vã que a paixão que me consome acabe em cinzas por falta de alimento. Mas não. Aquilo que me dizes e o que me provocas, é como uma reserva de alimento que me faz continuar acesa, desejando-te uma e outra vez.