terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Imagens

Escritório este, sossegado. Mas hoje, troquei o aborrecimento por imagens. Imagens guardadas algures num qualquer recanto da minha memória. Toco-me, quase sinto o teu sussurro no meu ouvido, oiço-me gemer como se estivesses presente.
Num abrir e fechar de olhos, corro para o meu palácio. Estou apenas de lingerie e com um roube curto de cetim negro a cobrir-me, quando te oiço bater à porta. Não há tempo para palavras, só um breve segundo para fechar a porta. Depois, sinto a tua língua enrolada na minha, sinto as tuas mãos a percorrerem-me o corpo, ouvimos as nossas respirações aceleradas à medida que nos despimos mutuamente enquanto vamos lentamente atravessando o corredor do palácio.
A minha mão escorrega no aparador à nossa passagem, documentos caem no chão e sentas-me nele. Ficas de joelhos à minha frente e denoto um brilho no teu olhar com um sorriso ligeiro, imediatamente antes de me saboreares como só tu o sabes fazer. A minha respiração fica mais descompassada, sinto os meus abdominais em espasmos de prazer enquanto te agarro os cabelos com força. Mas não estás satisfeito. Levantas-te e trazes o meu sabor à minha boca num beijo profundo.
- Vou pegar em ti Alice, vou colocar-te uma venda, prender-te os pulsos e devorar-te. Preciso recuperar o tempo que não estou contigo, preciso ouvir-te gemer, preciso sentir-te vibrar à medida que a tua pele começa a brilhar. Quero que te venhas, que grites, que fiques exausta apenas com o prazer que te posso dar. - E pegas-me ao colo, enquanto solto uma gargalhada ao ver o rasto de destruição naquele corredor. Atiras-me para a cama, mas consigo fugir do teu abraço-cadeado. Rodeio-te e fico por cima de ti, prendendo-te os pulsos. Sei bem que não tenho forças para te prender, mas deixas-te ir nas minhas intenções. Sorrio para ti antes de te cobrir de beijos e me roçar em ti. Antes de te soltar os pulsos que, uma vez livres, se movimentam para me colocar uma venda de veludo negro.
- Não precisas da tua visão Alice. Sabes bem quem sou, o que me move, o que desejo. Entrega-te aos sentidos, entrega-te a mim. - Assim o faço. Fico na cama de joelhos, com os pulsos presos por ele atrás das costas, enquanto sinto a sua barba recente a descer pela minha espinha. Sinto o seu cheiro, inebriante. Sinto ele soltar-me os pulsos e a impelir-me para a frente de modo a ficar de barriga para baixo. Prende-me os pulsos na cabeceira da cama e começa a sua longa viagem, visitando e cheirando todos os recantos do meu corpo, como se certificando da minha identidade.
Tudo está inalterado, como uma foto tirada algures, numa tarde aquecida por nós.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Me, myself and I.


Only my interests are important. Are you with me? Great. If you're not, get lost from my sight.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Random notes

-Nada me incomodava naquilo. Mas actualmente repugna-me. Considero uma aberração, seres que poderiam ser erradicados da face do planeta. Detesto-vos! Seres asquerosos! - Mais uma recaída de Eva.
- Eva, sabes que no fundo não é neles em quem incide a culpa. Ninguém o chamou, ninguém o aliciou. São eles os procurados. Quem te viu e quem te vê Eva... mantém a tua essência, não permitas que isso te abale mais. Já foi. - No entanto, ela continua na sua luta eterna, tentando apaziguar uma mágoa disfarçada de ódio. Mas não sei se se libertará alguma vez desta sombra incómoda.

- Andamos sempre nisto, Alice. Uma a amparar a outra. A mim apeteceu-me ligar-lhe, mas apaguei o número. E apetece-me dizer-lhe tudo com todas as letrinhas de como me sinto magoada, revoltada! - E a mim revolta-me vê-la assim. Como quando essa sombra me aparece pela frente, eu sorrio, falo normalmente, mas que só me apetece exterminá-los a todos. Apetece-me gritar-lhe, sem nada dizer. Só gritar. Quero que esta necessidade de esquecimento do "Porquê?" de Eva se torne real de uma vez por todas.
Olho-a com um sorriso terno e abraço-a carinhosamente:
- O esquecimento por vezes concretiza-se, Eva. Esqueces o que aconteceu cada vez que lhe vês um sorriso, cada vez que ele te admira, cada vez que ele demonstra o amor que nutre por ti. Aí esqueces tudo. Tu que querias ligar e acabaste por apagar o número, tu que queres gritar e acabas por lhe sorrir e amar de volta... - E pisco-lhe o olho. Suspiro. Saio para fumar um cigarro. Eva vem a saltitar atrás de mim. Sempre linda esta miúda. Mesmo com tantas dúvidas parece sempre andar optimista.

Olho para o céu, não entendo nada. Não sei como perdi o controlo desta maneira. Desde aquele dia que toda a minha estória com ele passa diante dos meus olhos, em loop. Eva parece compreender.

- Lembras-te como tudo começou? Foi lindo, não foi? Sempre que o recordo é como se me apaixonasse novamente, uma e outra vez. - E suspira. Sorrio-lhe de volta. - Lembro-me de todos os sorrisos e de todos os abraços quentes e acolhedores. E continuo a acreditar que esses pequenos gestos não são fingidos, Alice. É impossível fingir-se por tanto tempo. Não pode ser...
Percebo para onde está aquela mente a divagar. Opto por a distrair. As boas lembranças ajudam a evitar as más.

- Eva, lembras-te quando me ajudaste a arranjar-me? Quando invadiste o meu closet e te puseste a conjugar saias com camisas, vestidos com casacos? Deixaste uma trapalhada atrás de ti, mas até correu bem, não foi? - Eva olha-me e sorri. O seu semblante fica de imediato mais leve. Conto-lhe então o que aconteceu nesse fim-de-semana. Em como me senti segura, inatingível, poderosa. Em como o seduzi entre as minhas pernas longas com sapato de salto alto.

Eva ri-se, de olhos a brilhar, feliz por me ver a tomar as rédeas novamente como "só eu sei fazer" - diz ela. E começa a cantarolar e a dançar à minha frente:


She's just a girl, and she's on fire
Hotter than a fantasy, longer like a highway
She's living in a world, and it's on fire
Feeling the catastrophe, but she knows she can fly away...!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Os devaneios de Eva

O palácio encontra-se em silêncio. Ouvem-se ruídos ao fundo. Um automóvel que buzina, motores ao longe que se movimentam. Uma música de videojogo toca ali ao lado, enquanto o fumo do meu cigarro se dissipa no ar numa dança conjunta com o fumo do incenso de chocolate.
Continuo absorta em pensamentos. Em tudo o que Eva me confidenciou. Eva, a inexperiente. Eva, a instável, insegura. Eva, a intuitiva. Pensando bem, Eva assenta-lhe que nem uma luva. Tantas primeiras experiências num tão curto espaço de tempo.
 - Sabes Alice, com tudo o que aconteceu, dou por mim a pensar nele. Sinto saudades do seu sorriso fácil, das suas brincadeiras maliciosas. Aquela despreocupação fascinava-me. - Sim, entendo-te muito bem Eva. Nem imaginas o quanto. Mas ela continua a falar, aluada, alheada do que penso ou possa dizer-lhe.
 - Mas não é só isso, sabes? Ando descontente, desmotivada... sinto um peso no estômago porque parece que não consigo fazer nada para recuperar aquela alegria toda. E isso aborrece-me. Eu aborrecida, imagina! Além do mais, quem iria imaginar que eu iria passar por tanta coisa, e deixar andar tanta outra! Eu, Eva! Nem sei bem se me deva sentir orgulhosa ou encolher-me na vergonha dos meus sentimentos. - E uma vez mais aceno-lhe, enquanto liberto o fumo existente nos meus pulmões. Eva continua perdida no seu discurso, mas já não consigo ouvi-la de forma nítida. Eu mesma me perdi por entre pensamentos. Analiso tudo o que Eva me confidenciou, todas as suas decisões e continuo sem conseguir dar-lhe a resposta que ela tanto procura. Fez bem? Mal? A sua decisão foi a correcta?
 - Ei, Alice! Acorda, não me ouves?! Sei muito bem que a forma mais simples e despreocupada é fugir ao que incomoda, seguir o caminho mais rápido. Pensei em telefonar-lhe, sabes? Com a raiva do que aconteceu... Senti-me tão ferida, que estive com o telefone na mão, com o nome dele ali, no visor. Mas de todas as opções possíveis, optei por apagar o número dele. Desvinculei-me dele para sempre. Não seria justo para ninguém, não é? Se lhe telefonasse, estaria a usá-lo para me vingar da mágoa que senti. Mas ele não foi o responsável por essa mágoa toda. E nem iria saber que tinha existido essa mágoa. E vingar-me de quê? Se depois só tu irias saber o que tinha acontecido? - Eva continua a disparar em todas as direcções as suas questões  pertinentes e sem respostas. Continua a enredar-me nas suas dúvidas e na tal mágoa que a persegue e da qual não se consegue libertar. Apercebo-me disso, quando ela me fala saudosa da sua alegria. Mas eu já lhe tinha dito isso, cada momento da sua vida é importante à sua maneira, seja ele bom ou mau.
 - Eva, Eva... sabes perfeitamente que todas as tuas acções têm prós e contras. Ele magoou-te, mas optaste por seguir em frente com ele. E nenhuma vingança, nenhuma chamada, nenhum encontro com o passado iria apagar o que ele te fez. Fizeste bem em apagar o número. Tu não és como ele. És tu. Sincera, pura. Se lhe fizesses o mesmo o máximo que conseguirias era sentir-te culpada e igualmente suja, se é que ele sente alguma coisa desse género. - Eva fica a olhar para mim, espantada. - Sim, por vezes penso que ele só te usa. Que faz um esforço aqui e ali de ir contra a sua própria vontade, como que numa espécie de investimento futuro. É um miúdo, no fundo... por vezes lembra-me aqueles fedelhos mimados que apenas estão bem quando têm o que querem ou quando as coisas lhes correm de feição. Fora isso, reclama com tudo, bate com os pés no chão, dá murros na mesa porque uma gota de água lhe parece um oceano. Mas foi isso que desejaste para ti, não foi Eva? Acreditaste piamente nas suas palavras e acções em tempos idos, que ele era o teu príncipe encantado, mas vês agora que não passa de um sapo mascarado. - Eva está incrédula a olhar para mim, prende atrás da orelha uma madeixa dourada rebelde e engole em seco. Sim, no fundo ela concorda comigo. Só nunca foi capaz de o expressar, nem mesmo comigo. Por vezes esse é o único escudo do ser humano, proteger-se até mesmo do seu consciente, para evitar a mágoa imediata. Embora saiba contudo que, prolongando isso no tempo, a mágoa será ainda maior. Mas desejando no fundo que esse escudo se torne real e que com o tempo, tudo o que sabemos real, não passe de um infundado receio.
 - Nunca foste tão sincera assim comigo Alice... E não tinha a mínima noção que pensavas assim de tudo isto. Pensei que estavas bem, feliz e... 
 - E nada. - interrompo-lhe. - As coisas são como são. Acontecem e não há nada que faça o tempo voltar atrás. Sabes que optei pelo silêncio. Até contigo Eva, me tenho mantido em silêncio. Escuto-te claro, e tento acalmar-te, mas voltei a subir os muros. Não quero que te magoes mais, por isso não penses mais. Prepara-te para o pior e só assim terás o sabor requintado de toda e qualquer pequena alegria que porventura apareça pelo caminho.
Eva esboça um sorriso terno. Observo-lhe o semblante muito mais leve, como que finalmente tivesse sido desmascarada mas por quem não lhe oferece perigo, eu. Observo-a enquanto suspira. Traz os cabelos dourados soltos, com caracóis largos feitos pelo ferro de frisar. Parece uma menina vestida de rosa pálido, com um vestido de organza de várias camadas que dão volume às saias rodadas. O vestido tem corte de império, evidencia-lhe o peito pequeno e cai até pouco acima dos joelhos. Olhando assim para ela, parece que este ano não teve nada que lhe afectasse. Incrível como nos escondemos dentro de nós próprios.
 - Bem! - Eva levanta-se de repente começando a saltitar no meu quarto. - O que esperas? São 18 horas neste preciso momento. Vá, anda lá! Vou ajudar-te na tua toilette. Sim, sim... sei que não vais a lado nenhum especial, mas tu és especial Alice! Parece que andamos trocadas, não é? Eu aqui toda arranjada e cheia de dúvidas e tu tão consciente e racional, mas sem vontade para nada! Não pode ser, não é? - E com isto abre as portas e segue para o closet para remexer em casacos, vestidos, blusas, saias...
Suspiro a olhar para ela e quase me dá vontade de rir ao observá-la com tanta energia. Mas não me levanto. Fumo mais um cigarro e mergulho novamente nos devaneios iniciais de Eva. Porque haveria eu de me arranjar e produzir para ele, quando tanta mágoa provocou nela? Será que ele consegue sequer imaginar?
 - Eeeei! Então Alice? Mexe-te vá! Olha as horas, não o vais deixar à espera, ou vais? - E com isto torce o nariz, sabendo que, se eu me atrasasse, não iria ficar minimamente preocupada. E ri-se, enquanto diz em silêncio "Sua peste!", e pisca-me o olho.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Do you know what this means?


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Dói

Dói. Uma dor que aperta os pulmões e me impede de respirar. Dói. Uma dor que me deixa dormente, mas que não me deixa dormir. Dói. Uma dor que não se sente e que me tira qualquer vontade de viver, de falar, de ver. Dói. Esta dor atroz de perder a esperança. Em pessoas, em situações, em mim.

Chorei e gritei, angustiada, desesperada. Mas agora dói. Dói por não conseguir mais chorar. Por não conseguir ver nada além do negro. Dói pela falta de continuidade, pela falta de crença, dói por nem o recomeçar me parecer o correcto a fazer.

Dói. Dói este silêncio ensurdecedor. Esta inactividade, esta passividade. Dói, esta destruição de sonhos e desejos. Dói ao ponto de querer sentir dor física para atenuar esta dor fulminante.

Fui toda coração. Dói agora pensar que sou apenas dor. Dói saber que sou e me sinto nada em parte alguma. Dói. Sentir esta dor que me faz sentir dor alguma. Dói sentir o ar e não respirar. Ter tacto e não sentir algo palpável. Dói ter cheiro e não sentir qualquer fragrância. Dói. Dói saber que quando vejo o meu semblante num espelho, não ser apenas um escudo. Sou eu, dor em estado puro sem qualquer vislumbre de alegria, felicidade, vitalidade.

Dói. Os longos cabelos da Alice deixaram de ser dourados. O eterno palácio da Alice deixou de ter memórias para ter fantasmas. Dói esta dor de ver a Alice morrer.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

The good and the bad

It's like you're screaming but no one can hear. You almost feel ashamed that someone could be that important, that without them, you feel like nothing. No one will ever understand how much it hurts. You feel hopeless, like nothing can save you. And when it's over and it's gone, you almost wish that you could have all that bad stuff back so you can have the good...

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Remember?

Sinto falta destes dias. Onde nada além do que sentíamos interessava. Relembro palavras, passagens no Metro com Gotan Project de fundo. Sorrisos e ansiedades. Receios e inseguranças. O doce e quente prazer de procurar e ser procurado. Um café à noite, um chá pela manhã. A naturalidade da fluidez das palavras, o conforto existente através de um toque quente. Quase que dói, desejar de volta com tanta intensidade esses dias.
Perdemo-nos em rotinas, quotidianos, esqueceu-se a paixão, a pequena surpresa, o desejo, o sorriso. Amamos porque faz sentido? Ou porque fica bem? Porque as nossas almas há muito que planearam este encontro de corpos? Ou porque a preguiça assim o obriga?
Onde ficou o amor demonstrado, em qualquer lugar, sem vergonhas? Onde ficaram as pequenas e saborosas surpresas?
Tudo me parece longe, tempos idos, sonhos que se desvaneceram. Deixou de haver a tulipa, a carta, o grito na rua, a dança no supermercado, o sorriso escondido no café, o toque subtil no carro, a ansiedade demonstrada, o desejo por consumar, a confiança na estabilidade, a conquista. Tudo agora parece o certo, o consumado, o garantido. Tudo agora está aborrecido, porque assim tem de ser, porque tudo muda. Onde está a paixão, o prazer de conquistar a cada dia? Desapareceu o inesperado bom, o brilho no olhar, a sensação de ser amado com intensidade. Tudo parece já não como um bem, mas como um mal necessário e adquirido...

Tudo isto me lembra um grande navio impossível de afundar, um Titanic.

Vamo-nos ficar no gelo, ou entramos num salva-vidas?

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Your body is a Wonderland


Saudades.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Momentos

A Vida é feita de momentos. Que duram o que duram. Que deixam saudade - ou assim esperamos. Não existe mais o conto de fadas de felizes para todo o sempre.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Same old

Espreguiço-me, embora não pelos motivos que ambos conhecemos. Espreguiço-me ao deixar fluir para fora de mim toda esta inércia, esta apatia, esta letargia que se apoderou de mim. Espreguiço-me para que outros sentimentos tomem lugar, o meu brilho, o meu sorriso, a minha energia, a minha determinação.
Sim, sou bastante determinada. Traço objectivos com frequência já que, correndo o risco de não haver ninguém do meu lado, vão ser essas pequenas vitórias que me vão dar energia para continuar. Para querer, desejar mais e melhor para mim.
"O que um não quer, dois não fazem" - Foi das expressões por ti proferidas que mais me marcaram e de facto concordo plenamente. Isto de remar constantemente contra a maré é cansativo, aborrecido e não leva a lugar algum. Por isso deixo de o fazer. Sim, desisto. Não detecto em ti a mesma importância que atribuo ao mesmo assunto, à mesma situação. Detecto aliás extremos opostos e... não quero isso para mim.
Posso chorar, gritar, desfalecer, mas se há alguém habituada a isso - não duvides - sou eu. "Bate forte, mas passa depressa" disse-me alguém outrora. No meu caso além de bater forte, passa horrivelmente devagar, mas não me derruba. Nada nem ninguém me derruba. Sou como aquelas frases feitas de Facebook "Algo frágil parte facilmente, mas também corta" ou "Derrubaste-me? Então antes que eu me levante, começa a correr". A mágoa é atroz, mas também faculta uma força imensa. E já que preferes ficar resguardado para te protegeres do que tu mesmo provocas em vez de provares o que realmente vale a pena, que assim seja.
Eu nada te tenho a provar, sabes de tudo. E nada tenho a relembrar, pelo que ficarei no silêncio. Sim, podes reclamar, ameaçar à vontade. Tanta vez o fazes, que começo a ficar imune. És como uma vacina, vírus e antídoto juntos = imunidade. Estarei por aqui, mais concentrada no meu trabalho, mais empenhada no meu palácio e na minha descendência. Irei ouvir a minha música, dançar com ela, rir muito. Irei retomar a arte nas minhas mãos, já que deixei tanta coisa para trás em vão. Já que abdiquei de coisas vitais à minha sobrevivência e agora terei de passar sem elas, a bem ou a mal.
A culpa não é tua porém. Regressei aos meus tempos primordiais de Alice menina, que caiu num mundo de fantasia. Mas agora acordei e regresso lentamente à realidade crua. Nada de comparações ou sacos comuns. O julgamento é feito de forma simples e sucinta. Julgadas muitas palavras, poucas acções, demasiadas mágoas e ausências, poucos sorrisos e presenças. Nada mais.
O sol brilha novamente amanhã, mesmo que escondido pelas nuvens. E quando estas dissiparem, cá estarei eu a absorver toda a sua energia, a sorrir de olhos fechados e rosto sereno, com os meus cabelos de ouro a esvoaçarem com a brisa suave do final de Primavera.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Boa memória e os seus dissabores

Enquanto caminho pela praia, penso em tudo o que fomos, o que dissemos, o que prometemos e o que já fizemos ou ficámos por fazer. Logicamente, sei bem que temos momentos que deveriam ser eternos, porque te amo, porque me sinto bem contigo, porque temos tanta cumplicidade juntos. Infelizmente, a boa memória faz com que se relembrem situações menos boas, aquelas que ferem, magoam, as que por mais que se queira, são impossíveis igualmente de esquecer.
Palavras, palavras... tão lindas de ouvir, tão lindas de ler, mas mais importante, maravilhosas quando realizadas. Se exijo muito? Talvez... contento-me sempre e apenas com o que julgo ser melhor para mim e isso falhando, não estando nas minhas mãos para o mudar, torna-se a pouco e pouco algo que incomoda, perturba.
Ainda há pouco me disseram "Tens andado tão em baixo ultimamente..." - Pois tenho. A minha determinação de nada vale na actualidade e o sentimento de impotência deixa-me assim, apática, triste, estagnada no tempo.
A brisa do mar arrepia-me, a humidade penetra na minha pele anunciando uma noite fresca, relembrando que são horas de regressar. Parto em direcção ao carro, com a sensação que, desta vez, nada o mar levou embora da minha mente. Sinto a areia fria nos meus pés, com a esperança que o que me atormenta se estilhasse em grãos de areia, mas em vão. Chego ao carro e, sentada no banco sacudindo a areia teimosa dos pés, chego à conclusão que vou continuar a sentir-me assim por tempo indeterminado e que, o que realmente me incomoda, é andar a perder tanto tempo com o que nunca esteve de facto nas minhas mãos. Apercebo-me que, talvez não atribuindo tanta importância ao que me incomoda, talvez deixe de incomodar tanto. No entanto, há sempre o risco de deixar de incomodar... ou de fazer sentido.
Preciso do meu humor, da minha determinação, da minha força, da minha vontade, da minha gargalhada e do brilho no meu olhar, preciso regressar à Terra, deixar mundos e ideias de sonho que a nada levam.
Ligo o carro e ponho-me a caminho, mas reparo que estou perdida. Alguém me consegue encontrar?

domingo, 27 de maio de 2012

Perdida

Estou perdida num limbo doloroso, sem saber em que direcção seguir. Se por um lado te amo e não faz sentido que me afaste de quem amo, por outro lado, não faz sentido igualmente sentir receio de falar abertamente contigo (quando sempre foi algo que gostei no nosso relacionamento), ou de andar em constante angustia por não saber como agir.
Uma relação é para supostamente duas pessoas estarem bem, não para uma estar em constante sofrimento, angustiada ou receosa. Não quero, não sei viver assim, não sou assim. Estou sem forças para esta batalha na minha mente, se devo falar ou não, se devo expressar ou não, se devo viver ou não, se devo deixar andar ou não.
Quem sou eu que não me reconheço?! Onde me perdi no meio de tudo isto? Não sei quem sou. A Alice segura, decidida, determinada, está a desvanecer-se a passos largos numa menina assustada. Onde fiquei?
Cansada de me sentir sempre exausta, sem nunca conseguir entender o que é certo e errado. Onde me pergunto por tudo quando nunca fui de perguntar e sim de viver. Quero-me de volta, egoísta a pensar primeiro em mim e depois nos outros. Quero o meu regresso, onde não me sinto dependente de ninguém. Quero o meu eu, a minha força de vida, a minha vitalidade. Quero encontrar-me novamente.

sábado, 26 de maio de 2012

Flash

Flash, momento em que nos transportamos para algo no passado. Em que recordamos algo, bom ou mau, Opto mais por recordar o bom, até porque para mau poderemos ter vivências actuais. Relembro as tuas palavras, os teus toques, a tua sedução. Relembro o beijo, o sussurro, o gemido. A temperatura corporal a subir, a junção de pele com pele, dois corpos tornarem-se num só.
A tua provocação que me deixa virada do avesso, de sorriso travesso, o teu olhar que percorre cada centímetro meu. Fico ansiosa por te ver,  por sentir aquele baque no peito pela antecipação do desejo que me provocas. Querer realizar qualquer fantasia contigo, sentir-me excitada apenas ao pensar em ti. O Mundo desaparece quando estou contigo. Ficamos apenas nós, o nosso desejo, o nosso sorriso. Tudo mais desaparece num flash até ao êxtase do momento em que nos consumimos por inteiro, onde suores e fluidos se juntam em uníssono com a nossa paixão devorada. 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Balanço


O que deveria ser um bom cálice de tinto, numa boa companhia, música ambiente e conversa agradável, está lentamente a fragmentar-se... Afasta-nos do líquido aveludado, do sabor único. 
É necessária a mudança... por enquanto mantém-se apenas fragmentado, quando se estilhaçar, não existirá como retomar a forma original. Perder-se-á o cálice, o tinto e tudo o que se viveu. Sou uma crente no entanto, ainda acredito...

terça-feira, 24 de abril de 2012

Viver é etc...

Viver é etecetera. Viver é rir, chorar, gritar, conversar, amar, sentir frio, calor. É ter, é desejar, é acreditar. Olho através da janela do meu palácio, sinto o sol deste fim de tarde que me aquece a pele, sinto aquela estranha sensação no peito, que nunca se sabe ao certo se é bom ou mau. Preparo-me para sair e para te encarar, com toda a mágoa, desejo e sentimento que te tenho. Até já... 

sábado, 14 de abril de 2012

Tender

Necessito de te tocar. Sentir o teu rosto na palma da minha mão. Necessito de deixar rolar as lágrimas teimosas que insistem em ficar escondidas. Preciso por demais, confirmar que o meu chão não fugiu, que tudo permanece calmo após a tempestade e sem grandes estragos.
Agarro-me ao único objecto que tenho com o teu cheiro, mas nem isso me acalma nem me faz sentir a tua presença... ou melhor, calma estou. Presa numa inércia ausente de emoções.
Nada disto devia ter acontecido... O nosso mar agitou-se provocando ondas enormes que nos levou de encontro às rochas. E ainda me questiono... existe o Nós? Alguma vez existiu? Percorro todo o meu palácio, entro em cada recanto, busco memórias da tua presença, relembro palavras proferidas, gestos realizados, olhares trocados.
Onde estás? Estou aprisionada na sensação que sonhos e planos ficaram adiados como que suspensos no tempo, onde uma cruel realidade se impôs entre nós... tenho de te ter nos meus braços, ouvir-te dizer-me baixinho que nada se alterou, que tudo continua no seu percurso natural. Tenho de sentir o calor do teu abraço, mais do que sentir o teu beijo. Tenho de sentir a solidez do teu abraço, mais do que sentir o teu desejo. Tenho de sentir o teu amor, mais do que a tua paixão. Quero o doce, o calmo, a plenitude da nossa estabilidade... inabalável mesmo após a tempestade.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Reencontros

Cada reencontro contigo é um misto de emoções. É o sorriso ao ver-te fazer a última curva, é o brilho no olhar quando te vejo a caminhar na minha direcção com um sorriso impossível de conter, é o abraço forte que nos completa nesse preciso instante, em que nos perdemos nos braços um do outro, absortos nos nossos pensamentos idênticos... Senti a tua falta. E ainda agora, passada pouco mais de uma hora, já os pulmões tendem a fechar, a aguardar impacientemente pelo instante que te terei nos meus braços novamente.
Não resisti em tirar aquelas fotos, em sentir o teu cheiro em todo o meu corpo, ao saber que o teu coração iria acelerar no preciso instante em que as começasses a visualizar. Em cada foto, senti-te bem perto de mim, os teus braços enlaçados na minha cintura, a tua respiração no meu ouvido, a minha pele arrepiada por puro prazer pela brisa amena do teu sussurro...
Ver-te tão aceite na minha vida delicia-me, as brincadeiras, as gargalhadas... Ainda não atingimos a perfeição dos quatro, mas não me parece que estejamos longe.
Amo-te por todas as razões e mais uma... sábias palavras de Joaquim Pessoa... amo-te por tudo o que és, o que não és e o que ambicionas ser. Anseio por ti, em ter-te comigo, na suite do meu palácio, perdido em carícias dadas pela passagem das minhas mãos no teu corpo, a delirar de pele arrepiada sempre que a minha língua te toca...
Anseio em fechar os olhos e entregar-me de corpo e alma a ti, onde redescobres cada recanto meu, onde sinto o calor das tuas mãos a deslizarem por mim, onde quase perco os sentidos quando a tua língua me toca.
Restam-me estes flash's em memórias recentes, onde te reencontro na minha mente, nos meus sonhos, até poder finalmente abraçar-te de novo.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Metamorfose

A minha ansiedade cresce a cada minuto que se arrasta no tempo... Conto cada segundo de forma decrescente para poder finalmente ver o teu olhar, o teu sorriso, sentir o calor que emanas do teu corpo e que me aquece a alma. Sei que irei estar a chegar e hei-de sorrir a olhar para aquele rio. Sei que assim que o meu olhar te encontrar, mesmo que ainda distantes, vais derreter qualquer réstia de gelo que traga em mim.
A saudade aperta, mesmo após alguns minutos de ausência... e durante esta ausência prolongada apenas te trago no pensamento. Escuto-te a voz, oiço a tua gargalhada, o teu sussurro... consigo ver o teu rosto, o brilho do teu olhar, consigo sentir o calor do teu toque...
Transformaste a Alice, uma mulher desprendida de envolvimentos emocionais, numa menina protegida nos teus braços, que anseia por todo o amor e carinho que tens para lhe oferecer... numa menina travessa, ansiosa de te prender as mãos e te fazer delirar com o seu toque... numa menina pestinha, desejosa de te trancar entre pernas e gemidos que te levam ao rubro de pleno êxtase...
Sim, transformaste a Alice, uma mulher fria e apenas com desejos carnais, numa menina-mulher completa, amada e capaz de amar. Ainda longe da perfeição com os seus receios no desconhecido, mas que ainda assim caminha segura de venda no rosto, confiante no que lhe transmites.
Contigo caminho de mãos dadas, onde quer que o nosso caminho nos leve... amo-te e neste momento, apenas anseio pelo calor do teu abraço. Tudo o resto é secundário, tudo o resto pode parar no tempo...

Atrocious

O que é o amor se não um pau de dois bicos? Sinto-me amada, protegida, mas ao mesmo tempo e em situação de discórdia, qualquer coisa que me digas provoca-me uma dor atroz que me chega aos ossos...
Amo-te, não de uma forma que jamais pensei voltar a sentir, pois o que sinto por ti vai além do que já senti no passado. É algo novo que me desarmou qualquer defesa, deixando-me vulnerável a tudo de bom e de mau. Quando estamos bem (e felizmente é 99% do tempo), o que sinto é maravilhoso... sinto-me calma, protegida, amada,feliz, tranquila. Temos um entendimento quase para lá do perfeito. Incendeias-me apenas com o toque da tua língua nos meus lábios, com a passagem da tua mão na minha pele, com o encaixe perfeito com que unimos os corpos. Contigo saboreio o êxtase, só o teu sussurro no meu ouvido me faz arrepiar a pele e os meus joelhos quererem falhar.
Desejo-te. Não apenas fisicamente. Como referes, o nosso envolvimento físico é apenas um complemento ao que sentimos. Anseio por ti, sinto a tua falta no instante seguinte ao deixar de te ver. Não... impossível desejar-te apenas por físico, sexo. Contigo perco noção das horas apenas a conversar acerca de banalidades do dia-a-dia, sem considerar que perdemos tempo em conversa fiada. O sentimento de perda apenas existe quando não estás presente. Fico desorientada, sem parte de mim. Parece que um dos meus pulmões falha no meu respirar, parece que fica um vácuo no seu lugar...
E, quando o pior acontece, quando não te tenho junto a mim e acontece um desentendimento, deixo simplesmente de funcionar. Os pulmões falham, o coração pára, as pernas não querem andar nem a boca consegue falar. Escorrem-me lágrimas no rosto, que a dor solta de modo a ser ligeiramente aliviada, sinto um grito mudo a querer formar-se, impedido por um nó na garganta...
Este desconhecido assusta-me. Este sentimento avassalador, que me transforma em "toda coração". Não quero sentir o receio de te perder, mesmo que seja totalmente infundado. Não quero guardar o bom do meu coração por dentro, deixando apenas o mau das minhas defesas cá fora.
Quero a aliança contigo construída, a parceria inabalável que temos mutuamente, quero a base sólida que construímos. Quero a ausência desta dor atroz que me consome em lágrimas até à exaustão emocional.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
 
Wonderland Alice. Design by Exotic Mommie. Provided By Free Blogger Templates | Freethemes4all.com
Free Website templatesfreethemes4all.comLast NewsFree CMS TemplatesFree CSS TemplatesFree Soccer VideosFree Wordpress ThemesFree Web Templates