Encontro-me na minha cama, no meu palácio, sozinha. Permito-me pensar em ti e rapidamente o meu edredão se torna quente demais. Toco no meu corpo quente que estremece com a minha mão fria.
Onde andas? Quando fecho os olhos vejo-te num sem numero de situações, de cenários diferentes. É então que bates à porta. Vejo o teu sorriso mesmo antes de me privares da visão. Puxas-me para ti, decidido, tu comandas, eu deixo. Passas a língua nos meus lábios de forma lasciva e prendes-me os pulsos. Tu comandas, eu deixo. Deixas de me tocar. Sinto que me observas, e sinto mais uma presença no espaço. A gola decotada da minha camisola de malha é puxada para baixo com força enquanto uma boca que não é a tua se apodera do meu peito. A ti, sinto-te a inclinares-me, queres-me de joelhos. Acedo ao teu pedido sem que a presença me largue o peito. Está ávido por me poder tocar. Sei que é um homem. Sinto-lhe a barba a roçar no peito a cada investida.
Tiveste o cuidado de colocar uma manta no chão, para meu conforto. Mas a tua delicadeza acaba aí. À medida que vou respirando de forma cada vez mais sôfrega, à medida que me entrego cada vez mais aos sentidos, sinto dois dedos teus a penetrarem-me. Conheces cada saliência interior minha, todos os meus relevos internos ávidos de sentir a pressão do teu toque. O estranho larga-me finalmente e afasta-se por instantes. Oiço-lhe o cinto das calças, uns ténis a serem descalçados, uma ganga a sair do corpo.
Mas não lhe dou muita importância. Recebo o teu toque no meu pescoço, o teu hálito quente no meu ouvido, sem parares de me penetrar. Sentes as minhas ancas a moverem-se ao mesmo compasso da dança dos teus dedos. "Isso minha bailarina. Dança para mim Alice..." - O estranho volta. Sinto-lhe o sexo duro junto do meu rosto, mas rapidamente o afastas. - Já te divertiste por hoje. Agora ela é apenas minha. Senta-te, assiste e goza apenas com a visão.
Sorrio. Tu comandas, eu deixo. Oiço o estranho fazer um esgar, mas obedece-te. Sinto-o sentar-se no sofá, observa-nos excitado. Voltas a mim. "Um dia também o terás, Alice. Mas não hoje. Hoje és apenas minha e dos sentidos que te afloram a pele." - Mordes-me o pescoço, beijas-me e trincas-me o lábio inferior enquanto me agarras no fundo das costas num abraço que me puxa para ti. Continuo de pulsos algemados atrás das costas, louca por não poder tocar-te, louca por sentir o teu cheiro e a tua pele quente em mim. Trazes os teus dedos à minha boca enquanto os chupo, ávida do meu sabor, ávida de te sentir.
E sinto. Elevas-me ligeiramente agarrando-me na anca, sinto-me escorrer no impasse de te sentir duro junto a mim. E eis que chega o momento. Tocas-me com o sexo, sentes toda a minha excitação a escorrer por ti, imediatamente antes de entrares de uma só vez, com uma só estocada, gemendo de forma audível, fazendo com que te engolisse todo. Escorregas para fora e para dentro ao mesmo tempo que te vais roçando em mim. Escutas a minha respiração, os meus gemidos, a dança de ancas cada vez mais acelerada. Notas-me o peito excitado, deixando antever o desfecho esperado. Todos os meus sentidos se concentram agora no meu baixo ventre. As estocadas fortes, o roçares-te em mim, a respiração que fala por mim e me denuncia num orgasmo próximo. "És a minha princesa, a minha bailarina, mas neste preciso momento és a minha puta. Vem-te para mim, deixa-me encharcado com o teu prazer, sente-me cada vez mais forte, mais rápido, mais fundo! Vem-te Alice!" - Tu comandas, eu deixo. À medida que o meu corpo reage ao orgasmo com espasmos involuntários e gemidos audíveis, oiço o estranho vir-se também, no deleite da visão que lhe proporcionamos. Penetras-me apenas mais duas vezes, mais fortes ainda, e oiço o teu grito grave, de prazer contido até à ultima. Em seguida, colas-te em mim, sem saíres do meu interior, beijas-me de forma intensa e abraças-me suspirando. Senti a tua falta, mas não te digo.
O silêncio é quebrado pelo estranho. Oiço-o vestir-se e parar diante de nós. - Sai e espera por mim no carro - Ordenas-lhe. O estranho obedece. Sinto o seu toque numa breve festa no meu rosto e afasta-se fechando a porta atrás de si. A sós, libertas-me os pulsos, retiras-me a venda do rosto para trocarmos aquele olhar cúmplice. "Senti a tua falta, Alice." - Também senti a tua falta, mas não te digo. Entrego-me ao teu abraço terno e retribuo-te com um sorriso.
Tu comandaste, eu deixei. Mas agora é tempo de ires. Passo-te com a língua pelos lábios e a mão no desenho das tuas sobrancelhas. Acompanho-te à porta e dás-me um último beijo, daqueles que sabes serem avassaladores, que me viram do avesso. Mas afasto-te e empurro-te para fora. Tu comandaste, eu deixei. Mas por agora é só.
Fecho a porta sem espreitar ou olhar para trás. Abro a torneira do chuveiro, visto o roube turco enquanto o vapor começa lentamente a invadir o espaço. Olho-me no espelho. Tenho o rosto ruborizado e o corpo gozado.
Sorrio e entro no duche. Sinto a água quente a relaxar-me os músculos e fecho os olhos, pensando com curiosidade quem seria o estranho voyeur que trouxeste ao meu palácio.
















