quarta-feira, 27 de março de 2013

Auto Retracto


Não me apetece estar aqui com "escritas criativas", à procura das palavras correctas ou onde colocar a vírgula, ou até mesmo quando mudar de parágrafo. Estou cansada. Faço e desfaço, gosto e desgosto, quero e desprezo. Sou oito e oitenta e, signifique isso que o significar, sou eu.
Irrita-me quem me julga, principalmente quando não me conhecem minimamente. Por vezes ignoro, mas a grande maioria das vezes não. Fico danada, revoltada, frustrada. Até poderia mexer-me para desmistificar determinadas questões, mas para quê? Havendo interesse nesse sentido, não haveria sequer julgamento, certo? Aguardo antes e pacientemente pelo karma. Essa tal coisa que referem os entendidos (ou não) que está sempre atento e não dá ponto sem nó.

Se sou perfeita? Como alguém me diria... jamé! Mas não sou egoísta, nunca fui. Sou uma crente na Humanidade, num Mundo onde existem pessoas cada vez menos humanas. Questiono-me frequentemente do porquê de serem assim, que proveito ou gozo lhes dá em serem cruéis para com os outros, mesmo que não seja comigo. Logicamente não sou uma coitadinha. Se me tentam pisar, faço questão que engulam com violência o meu salto alto, embora isso não me faça má pessoa... apenas defensiva. Considero-me a presa, não o predador.
Sempre soube que para benefício próprio, é preferível inverter o coração. Lado bom para dentro. Lado mau para fora. Raramente as pessoas sabem lidar com o bom que lhes dão. Ou não dão valor, ou exigem como se se tratasse de uma obrigação.
Eu sou uma ponderada por natureza. Vejo sempre prós e contras, analiso todos os lados de uma questão para poder opinar. E sim, raramente me engano. A não ser quando o assunto em causa sou eu. Tenho uma tendência pérfida para comigo mesma. E tudo devido ao orgão que bate no peito a quem culpamos malefícios e benefícios emocionais.
Terei de fazer uma limpeza geral. Começarei amanhã mesmo pelo palácio, depois comigo e por fim, com tudo e todos que me rodeiam. Preciso mudar de ares.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Perspectivas

Captas  a minha imagem, tens um vislumbre da única forma que consegues ver-me. Não te sintas inferiorizado, porém. Aproveita e contempla a tua perspectiva, é interessante. Admira o céu azul que já vai espreitando mais. Mas tem sempre em mente que num abrir e fechar de olhos, te deixo encurralado por entre o meu salto alto. Atreves-te?

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Um ano


Há um ano atrás, Sábado, noite de Carnaval. Estava nervosa a preparar-me para sair. As minhas pernas tremiam, assim como as minhas mãos agarravam inseguras o volante. Não sabia que estava a dirigir rumo a Lisboa, no intuito de mudar toda a minha vida, quem sempre fui.
Ao longo de um ano, criei cicatrizes que irão marcar o resto da minha vida. Irei relembrar sorrisos, angustias, toques, gestos, vozes, gritos e choros.
Um ano, doze meses, 365 dias que passam agora num loop vertiginoso. Prognóstico? Dizem ser apenas no final do jogo.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Secret

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Im Possible.


Nothing is Impossible. The word itself says "I'm Possible".

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Três


Encontro-me na minha cama, no meu palácio, sozinha. Permito-me pensar em ti e rapidamente o meu edredão se torna quente demais. Toco no meu corpo quente que estremece com a minha mão fria. 
Onde andas? Quando fecho os olhos vejo-te num sem numero de situações, de cenários diferentes. É então  que bates à porta. Vejo o teu sorriso mesmo antes de me privares da visão. Puxas-me para ti, decidido, tu comandas, eu deixo. Passas a língua nos meus lábios de forma lasciva e prendes-me os pulsos. Tu comandas, eu deixo. Deixas de me tocar. Sinto que me observas, e sinto mais uma presença no espaço. A gola decotada da minha camisola de malha é puxada para baixo com força enquanto uma boca que  não é a tua se apodera do meu peito. A ti, sinto-te a inclinares-me, queres-me de joelhos. Acedo ao teu pedido sem que a presença me largue o peito. Está ávido por me poder tocar. Sei que é um homem. Sinto-lhe a barba a roçar no peito a cada investida. 

Tiveste o cuidado de colocar uma manta no chão, para meu conforto. Mas a tua delicadeza acaba aí. À medida que vou respirando de forma cada vez mais sôfrega, à medida que me entrego cada vez mais aos sentidos, sinto dois dedos teus a penetrarem-me. Conheces cada saliência interior minha, todos os meus relevos internos ávidos de sentir a pressão do teu toque. O estranho larga-me finalmente e afasta-se por instantes. Oiço-lhe o cinto das calças,  uns ténis a serem descalçados, uma ganga a sair do corpo.

Mas não lhe dou muita importância. Recebo o teu toque no meu pescoço, o teu hálito quente no meu ouvido, sem parares de me penetrar. Sentes as  minhas ancas a moverem-se ao mesmo compasso da dança dos teus dedos. "Isso minha bailarina. Dança para mim Alice..." - O estranho volta. Sinto-lhe o sexo duro junto do meu rosto, mas rapidamente o afastas. - Já te divertiste por hoje. Agora ela é apenas minha. Senta-te, assiste e goza apenas com a visão.
Sorrio. Tu comandas, eu deixo. Oiço o estranho fazer um esgar, mas obedece-te. Sinto-o sentar-se no sofá, observa-nos excitado. Voltas a mim. "Um dia também o terás, Alice. Mas não hoje. Hoje és apenas minha e dos sentidos que te afloram a pele." - Mordes-me o pescoço, beijas-me e trincas-me o lábio inferior enquanto me agarras no fundo das costas num abraço que me puxa para ti. Continuo de pulsos algemados atrás das costas, louca por não poder tocar-te, louca por sentir o teu cheiro e a tua pele quente em mim. Trazes os teus dedos à minha boca enquanto os chupo, ávida do meu sabor, ávida de te sentir.
E sinto. Elevas-me ligeiramente agarrando-me na anca, sinto-me escorrer no impasse de te sentir duro junto a mim. E eis que chega o momento. Tocas-me com o sexo, sentes toda a minha excitação a escorrer por ti, imediatamente antes de entrares de uma só vez, com uma só estocada, gemendo de forma audível, fazendo com que te engolisse todo. Escorregas para fora e para dentro ao mesmo tempo que te vais roçando em mim. Escutas a minha respiração, os meus gemidos, a dança de ancas cada vez mais acelerada. Notas-me o peito excitado, deixando antever o desfecho esperado. Todos os meus sentidos se concentram agora no meu baixo ventre. As estocadas fortes, o roçares-te em mim, a respiração que fala por mim e me denuncia  num orgasmo próximo. "És a minha princesa, a minha bailarina, mas neste preciso momento és a minha puta. Vem-te para mim, deixa-me encharcado com o teu prazer, sente-me cada vez  mais forte, mais rápido, mais fundo! Vem-te Alice!" - Tu comandas, eu deixo. À medida que o meu corpo reage ao orgasmo com espasmos involuntários e gemidos audíveis, oiço o estranho vir-se também, no deleite da visão que lhe proporcionamos. Penetras-me apenas mais duas vezes, mais fortes ainda, e oiço o teu grito grave, de prazer contido até à ultima. Em seguida, colas-te em mim, sem saíres do meu interior, beijas-me de forma intensa e abraças-me suspirando. Senti a tua falta, mas não te digo.
O silêncio é quebrado pelo estranho. Oiço-o vestir-se e parar diante de nós. - Sai e espera por mim no carro - Ordenas-lhe. O estranho obedece. Sinto o seu toque numa breve festa no meu rosto e afasta-se fechando a porta atrás de si. A sós, libertas-me os pulsos, retiras-me a venda do rosto para trocarmos aquele olhar cúmplice. "Senti a tua falta, Alice." - Também senti a tua falta, mas não te digo. Entrego-me ao teu abraço terno e retribuo-te com um sorriso. 

Tu comandaste, eu deixei. Mas agora é tempo de ires. Passo-te com a língua pelos lábios e a mão no desenho das tuas sobrancelhas. Acompanho-te à porta e dás-me um último beijo, daqueles que sabes serem avassaladores, que me viram do avesso. Mas afasto-te e empurro-te para fora. Tu comandaste, eu deixei. Mas por agora é só.
Fecho a porta sem espreitar ou olhar para trás. Abro a torneira do chuveiro, visto o roube turco enquanto o vapor começa lentamente a invadir o espaço. Olho-me no espelho. Tenho o rosto ruborizado e o corpo gozado.
Sorrio e entro no duche. Sinto a água quente a relaxar-me os músculos e fecho os olhos, pensando com curiosidade quem seria o estranho voyeur que trouxeste ao meu palácio.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Take your time


Invades-me a mente à medida que o meu corpo é invadido por sensações. Sinto o toque suave por todo o meu corpo, a barba que me arranha a pele, o calor dos lábios a beijarem-me o pescoço. Fecho os olhos e deixo-me levar apenas pelo sabor do toque, no silêncio, no escuro que apenas permite alguns vislumbres.
Consomes-me com a língua, perdido em todos os meus recantos, enquanto vou respirando de modo descompassado, as minhas costas vão arqueando, uma e outra vez enquanto me roço em ti e te sinto crescer à medida que soltas um gemido rouco no meu ouvido.
A tua língua toca-me no mais íntimo, saboreias directamente da fonte do néctar que tanto adoras, enquanto vibro e me agarro à cabeceira da cama, inebriada, zonza de prazer. Não aguento mais e viro-me de barriga para cima. Permites-me o movimento de me virar, apenas para me invadires novamente enquanto acompanhas os espasmos quase espontâneos do meu corpo.
Daí ao êxtase total não falta muito. Sabes que me perco em preliminares demorados, que fico fora de mim. Conheces o meu corpo ao ponto de saber quando expludo e quando deves largar-me. Sabes que deves beijar-me trazendo o meu sabor até mim. E sabes que deves entrar em mim e gemer ao meu ouvido, enquanto te contraio para te vires como louco e caíres nos meu braços, num abraço de pele com pele.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Imagens

Escritório este, sossegado. Mas hoje, troquei o aborrecimento por imagens. Imagens guardadas algures num qualquer recanto da minha memória. Toco-me, quase sinto o teu sussurro no meu ouvido, oiço-me gemer como se estivesses presente.
Num abrir e fechar de olhos, corro para o meu palácio. Estou apenas de lingerie e com um roube curto de cetim negro a cobrir-me, quando te oiço bater à porta. Não há tempo para palavras, só um breve segundo para fechar a porta. Depois, sinto a tua língua enrolada na minha, sinto as tuas mãos a percorrerem-me o corpo, ouvimos as nossas respirações aceleradas à medida que nos despimos mutuamente enquanto vamos lentamente atravessando o corredor do palácio.
A minha mão escorrega no aparador à nossa passagem, documentos caem no chão e sentas-me nele. Ficas de joelhos à minha frente e denoto um brilho no teu olhar com um sorriso ligeiro, imediatamente antes de me saboreares como só tu o sabes fazer. A minha respiração fica mais descompassada, sinto os meus abdominais em espasmos de prazer enquanto te agarro os cabelos com força. Mas não estás satisfeito. Levantas-te e trazes o meu sabor à minha boca num beijo profundo.
- Vou pegar em ti Alice, vou colocar-te uma venda, prender-te os pulsos e devorar-te. Preciso recuperar o tempo que não estou contigo, preciso ouvir-te gemer, preciso sentir-te vibrar à medida que a tua pele começa a brilhar. Quero que te venhas, que grites, que fiques exausta apenas com o prazer que te posso dar. - E pegas-me ao colo, enquanto solto uma gargalhada ao ver o rasto de destruição naquele corredor. Atiras-me para a cama, mas consigo fugir do teu abraço-cadeado. Rodeio-te e fico por cima de ti, prendendo-te os pulsos. Sei bem que não tenho forças para te prender, mas deixas-te ir nas minhas intenções. Sorrio para ti antes de te cobrir de beijos e me roçar em ti. Antes de te soltar os pulsos que, uma vez livres, se movimentam para me colocar uma venda de veludo negro.
- Não precisas da tua visão Alice. Sabes bem quem sou, o que me move, o que desejo. Entrega-te aos sentidos, entrega-te a mim. - Assim o faço. Fico na cama de joelhos, com os pulsos presos por ele atrás das costas, enquanto sinto a sua barba recente a descer pela minha espinha. Sinto o seu cheiro, inebriante. Sinto ele soltar-me os pulsos e a impelir-me para a frente de modo a ficar de barriga para baixo. Prende-me os pulsos na cabeceira da cama e começa a sua longa viagem, visitando e cheirando todos os recantos do meu corpo, como se certificando da minha identidade.
Tudo está inalterado, como uma foto tirada algures, numa tarde aquecida por nós.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Me, myself and I.


Only my interests are important. Are you with me? Great. If you're not, get lost from my sight.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Random notes

-Nada me incomodava naquilo. Mas actualmente repugna-me. Considero uma aberração, seres que poderiam ser erradicados da face do planeta. Detesto-vos! Seres asquerosos! - Mais uma recaída de Eva.
- Eva, sabes que no fundo não é neles em quem incide a culpa. Ninguém o chamou, ninguém o aliciou. São eles os procurados. Quem te viu e quem te vê Eva... mantém a tua essência, não permitas que isso te abale mais. Já foi. - No entanto, ela continua na sua luta eterna, tentando apaziguar uma mágoa disfarçada de ódio. Mas não sei se se libertará alguma vez desta sombra incómoda.

- Andamos sempre nisto, Alice. Uma a amparar a outra. A mim apeteceu-me ligar-lhe, mas apaguei o número. E apetece-me dizer-lhe tudo com todas as letrinhas de como me sinto magoada, revoltada! - E a mim revolta-me vê-la assim. Como quando essa sombra me aparece pela frente, eu sorrio, falo normalmente, mas que só me apetece exterminá-los a todos. Apetece-me gritar-lhe, sem nada dizer. Só gritar. Quero que esta necessidade de esquecimento do "Porquê?" de Eva se torne real de uma vez por todas.
Olho-a com um sorriso terno e abraço-a carinhosamente:
- O esquecimento por vezes concretiza-se, Eva. Esqueces o que aconteceu cada vez que lhe vês um sorriso, cada vez que ele te admira, cada vez que ele demonstra o amor que nutre por ti. Aí esqueces tudo. Tu que querias ligar e acabaste por apagar o número, tu que queres gritar e acabas por lhe sorrir e amar de volta... - E pisco-lhe o olho. Suspiro. Saio para fumar um cigarro. Eva vem a saltitar atrás de mim. Sempre linda esta miúda. Mesmo com tantas dúvidas parece sempre andar optimista.

Olho para o céu, não entendo nada. Não sei como perdi o controlo desta maneira. Desde aquele dia que toda a minha estória com ele passa diante dos meus olhos, em loop. Eva parece compreender.

- Lembras-te como tudo começou? Foi lindo, não foi? Sempre que o recordo é como se me apaixonasse novamente, uma e outra vez. - E suspira. Sorrio-lhe de volta. - Lembro-me de todos os sorrisos e de todos os abraços quentes e acolhedores. E continuo a acreditar que esses pequenos gestos não são fingidos, Alice. É impossível fingir-se por tanto tempo. Não pode ser...
Percebo para onde está aquela mente a divagar. Opto por a distrair. As boas lembranças ajudam a evitar as más.

- Eva, lembras-te quando me ajudaste a arranjar-me? Quando invadiste o meu closet e te puseste a conjugar saias com camisas, vestidos com casacos? Deixaste uma trapalhada atrás de ti, mas até correu bem, não foi? - Eva olha-me e sorri. O seu semblante fica de imediato mais leve. Conto-lhe então o que aconteceu nesse fim-de-semana. Em como me senti segura, inatingível, poderosa. Em como o seduzi entre as minhas pernas longas com sapato de salto alto.

Eva ri-se, de olhos a brilhar, feliz por me ver a tomar as rédeas novamente como "só eu sei fazer" - diz ela. E começa a cantarolar e a dançar à minha frente:


She's just a girl, and she's on fire
Hotter than a fantasy, longer like a highway
She's living in a world, and it's on fire
Feeling the catastrophe, but she knows she can fly away...!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Os devaneios de Eva

O palácio encontra-se em silêncio. Ouvem-se ruídos ao fundo. Um automóvel que buzina, motores ao longe que se movimentam. Uma música de videojogo toca ali ao lado, enquanto o fumo do meu cigarro se dissipa no ar numa dança conjunta com o fumo do incenso de chocolate.
Continuo absorta em pensamentos. Em tudo o que Eva me confidenciou. Eva, a inexperiente. Eva, a instável, insegura. Eva, a intuitiva. Pensando bem, Eva assenta-lhe que nem uma luva. Tantas primeiras experiências num tão curto espaço de tempo.
 - Sabes Alice, com tudo o que aconteceu, dou por mim a pensar nele. Sinto saudades do seu sorriso fácil, das suas brincadeiras maliciosas. Aquela despreocupação fascinava-me. - Sim, entendo-te muito bem Eva. Nem imaginas o quanto. Mas ela continua a falar, aluada, alheada do que penso ou possa dizer-lhe.
 - Mas não é só isso, sabes? Ando descontente, desmotivada... sinto um peso no estômago porque parece que não consigo fazer nada para recuperar aquela alegria toda. E isso aborrece-me. Eu aborrecida, imagina! Além do mais, quem iria imaginar que eu iria passar por tanta coisa, e deixar andar tanta outra! Eu, Eva! Nem sei bem se me deva sentir orgulhosa ou encolher-me na vergonha dos meus sentimentos. - E uma vez mais aceno-lhe, enquanto liberto o fumo existente nos meus pulmões. Eva continua perdida no seu discurso, mas já não consigo ouvi-la de forma nítida. Eu mesma me perdi por entre pensamentos. Analiso tudo o que Eva me confidenciou, todas as suas decisões e continuo sem conseguir dar-lhe a resposta que ela tanto procura. Fez bem? Mal? A sua decisão foi a correcta?
 - Ei, Alice! Acorda, não me ouves?! Sei muito bem que a forma mais simples e despreocupada é fugir ao que incomoda, seguir o caminho mais rápido. Pensei em telefonar-lhe, sabes? Com a raiva do que aconteceu... Senti-me tão ferida, que estive com o telefone na mão, com o nome dele ali, no visor. Mas de todas as opções possíveis, optei por apagar o número dele. Desvinculei-me dele para sempre. Não seria justo para ninguém, não é? Se lhe telefonasse, estaria a usá-lo para me vingar da mágoa que senti. Mas ele não foi o responsável por essa mágoa toda. E nem iria saber que tinha existido essa mágoa. E vingar-me de quê? Se depois só tu irias saber o que tinha acontecido? - Eva continua a disparar em todas as direcções as suas questões  pertinentes e sem respostas. Continua a enredar-me nas suas dúvidas e na tal mágoa que a persegue e da qual não se consegue libertar. Apercebo-me disso, quando ela me fala saudosa da sua alegria. Mas eu já lhe tinha dito isso, cada momento da sua vida é importante à sua maneira, seja ele bom ou mau.
 - Eva, Eva... sabes perfeitamente que todas as tuas acções têm prós e contras. Ele magoou-te, mas optaste por seguir em frente com ele. E nenhuma vingança, nenhuma chamada, nenhum encontro com o passado iria apagar o que ele te fez. Fizeste bem em apagar o número. Tu não és como ele. És tu. Sincera, pura. Se lhe fizesses o mesmo o máximo que conseguirias era sentir-te culpada e igualmente suja, se é que ele sente alguma coisa desse género. - Eva fica a olhar para mim, espantada. - Sim, por vezes penso que ele só te usa. Que faz um esforço aqui e ali de ir contra a sua própria vontade, como que numa espécie de investimento futuro. É um miúdo, no fundo... por vezes lembra-me aqueles fedelhos mimados que apenas estão bem quando têm o que querem ou quando as coisas lhes correm de feição. Fora isso, reclama com tudo, bate com os pés no chão, dá murros na mesa porque uma gota de água lhe parece um oceano. Mas foi isso que desejaste para ti, não foi Eva? Acreditaste piamente nas suas palavras e acções em tempos idos, que ele era o teu príncipe encantado, mas vês agora que não passa de um sapo mascarado. - Eva está incrédula a olhar para mim, prende atrás da orelha uma madeixa dourada rebelde e engole em seco. Sim, no fundo ela concorda comigo. Só nunca foi capaz de o expressar, nem mesmo comigo. Por vezes esse é o único escudo do ser humano, proteger-se até mesmo do seu consciente, para evitar a mágoa imediata. Embora saiba contudo que, prolongando isso no tempo, a mágoa será ainda maior. Mas desejando no fundo que esse escudo se torne real e que com o tempo, tudo o que sabemos real, não passe de um infundado receio.
 - Nunca foste tão sincera assim comigo Alice... E não tinha a mínima noção que pensavas assim de tudo isto. Pensei que estavas bem, feliz e... 
 - E nada. - interrompo-lhe. - As coisas são como são. Acontecem e não há nada que faça o tempo voltar atrás. Sabes que optei pelo silêncio. Até contigo Eva, me tenho mantido em silêncio. Escuto-te claro, e tento acalmar-te, mas voltei a subir os muros. Não quero que te magoes mais, por isso não penses mais. Prepara-te para o pior e só assim terás o sabor requintado de toda e qualquer pequena alegria que porventura apareça pelo caminho.
Eva esboça um sorriso terno. Observo-lhe o semblante muito mais leve, como que finalmente tivesse sido desmascarada mas por quem não lhe oferece perigo, eu. Observo-a enquanto suspira. Traz os cabelos dourados soltos, com caracóis largos feitos pelo ferro de frisar. Parece uma menina vestida de rosa pálido, com um vestido de organza de várias camadas que dão volume às saias rodadas. O vestido tem corte de império, evidencia-lhe o peito pequeno e cai até pouco acima dos joelhos. Olhando assim para ela, parece que este ano não teve nada que lhe afectasse. Incrível como nos escondemos dentro de nós próprios.
 - Bem! - Eva levanta-se de repente começando a saltitar no meu quarto. - O que esperas? São 18 horas neste preciso momento. Vá, anda lá! Vou ajudar-te na tua toilette. Sim, sim... sei que não vais a lado nenhum especial, mas tu és especial Alice! Parece que andamos trocadas, não é? Eu aqui toda arranjada e cheia de dúvidas e tu tão consciente e racional, mas sem vontade para nada! Não pode ser, não é? - E com isto abre as portas e segue para o closet para remexer em casacos, vestidos, blusas, saias...
Suspiro a olhar para ela e quase me dá vontade de rir ao observá-la com tanta energia. Mas não me levanto. Fumo mais um cigarro e mergulho novamente nos devaneios iniciais de Eva. Porque haveria eu de me arranjar e produzir para ele, quando tanta mágoa provocou nela? Será que ele consegue sequer imaginar?
 - Eeeei! Então Alice? Mexe-te vá! Olha as horas, não o vais deixar à espera, ou vais? - E com isto torce o nariz, sabendo que, se eu me atrasasse, não iria ficar minimamente preocupada. E ri-se, enquanto diz em silêncio "Sua peste!", e pisca-me o olho.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Do you know what this means?


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Dói

Dói. Uma dor que aperta os pulmões e me impede de respirar. Dói. Uma dor que me deixa dormente, mas que não me deixa dormir. Dói. Uma dor que não se sente e que me tira qualquer vontade de viver, de falar, de ver. Dói. Esta dor atroz de perder a esperança. Em pessoas, em situações, em mim.

Chorei e gritei, angustiada, desesperada. Mas agora dói. Dói por não conseguir mais chorar. Por não conseguir ver nada além do negro. Dói pela falta de continuidade, pela falta de crença, dói por nem o recomeçar me parecer o correcto a fazer.

Dói. Dói este silêncio ensurdecedor. Esta inactividade, esta passividade. Dói, esta destruição de sonhos e desejos. Dói ao ponto de querer sentir dor física para atenuar esta dor fulminante.

Fui toda coração. Dói agora pensar que sou apenas dor. Dói saber que sou e me sinto nada em parte alguma. Dói. Sentir esta dor que me faz sentir dor alguma. Dói sentir o ar e não respirar. Ter tacto e não sentir algo palpável. Dói ter cheiro e não sentir qualquer fragrância. Dói. Dói saber que quando vejo o meu semblante num espelho, não ser apenas um escudo. Sou eu, dor em estado puro sem qualquer vislumbre de alegria, felicidade, vitalidade.

Dói. Os longos cabelos da Alice deixaram de ser dourados. O eterno palácio da Alice deixou de ter memórias para ter fantasmas. Dói esta dor de ver a Alice morrer.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

The good and the bad

It's like you're screaming but no one can hear. You almost feel ashamed that someone could be that important, that without them, you feel like nothing. No one will ever understand how much it hurts. You feel hopeless, like nothing can save you. And when it's over and it's gone, you almost wish that you could have all that bad stuff back so you can have the good...

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Remember?

Sinto falta destes dias. Onde nada além do que sentíamos interessava. Relembro palavras, passagens no Metro com Gotan Project de fundo. Sorrisos e ansiedades. Receios e inseguranças. O doce e quente prazer de procurar e ser procurado. Um café à noite, um chá pela manhã. A naturalidade da fluidez das palavras, o conforto existente através de um toque quente. Quase que dói, desejar de volta com tanta intensidade esses dias.
Perdemo-nos em rotinas, quotidianos, esqueceu-se a paixão, a pequena surpresa, o desejo, o sorriso. Amamos porque faz sentido? Ou porque fica bem? Porque as nossas almas há muito que planearam este encontro de corpos? Ou porque a preguiça assim o obriga?
Onde ficou o amor demonstrado, em qualquer lugar, sem vergonhas? Onde ficaram as pequenas e saborosas surpresas?
Tudo me parece longe, tempos idos, sonhos que se desvaneceram. Deixou de haver a tulipa, a carta, o grito na rua, a dança no supermercado, o sorriso escondido no café, o toque subtil no carro, a ansiedade demonstrada, o desejo por consumar, a confiança na estabilidade, a conquista. Tudo agora parece o certo, o consumado, o garantido. Tudo agora está aborrecido, porque assim tem de ser, porque tudo muda. Onde está a paixão, o prazer de conquistar a cada dia? Desapareceu o inesperado bom, o brilho no olhar, a sensação de ser amado com intensidade. Tudo parece já não como um bem, mas como um mal necessário e adquirido...

Tudo isto me lembra um grande navio impossível de afundar, um Titanic.

Vamo-nos ficar no gelo, ou entramos num salva-vidas?

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Your body is a Wonderland


Saudades.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Momentos

A Vida é feita de momentos. Que duram o que duram. Que deixam saudade - ou assim esperamos. Não existe mais o conto de fadas de felizes para todo o sempre.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Same old

Espreguiço-me, embora não pelos motivos que ambos conhecemos. Espreguiço-me ao deixar fluir para fora de mim toda esta inércia, esta apatia, esta letargia que se apoderou de mim. Espreguiço-me para que outros sentimentos tomem lugar, o meu brilho, o meu sorriso, a minha energia, a minha determinação.
Sim, sou bastante determinada. Traço objectivos com frequência já que, correndo o risco de não haver ninguém do meu lado, vão ser essas pequenas vitórias que me vão dar energia para continuar. Para querer, desejar mais e melhor para mim.
"O que um não quer, dois não fazem" - Foi das expressões por ti proferidas que mais me marcaram e de facto concordo plenamente. Isto de remar constantemente contra a maré é cansativo, aborrecido e não leva a lugar algum. Por isso deixo de o fazer. Sim, desisto. Não detecto em ti a mesma importância que atribuo ao mesmo assunto, à mesma situação. Detecto aliás extremos opostos e... não quero isso para mim.
Posso chorar, gritar, desfalecer, mas se há alguém habituada a isso - não duvides - sou eu. "Bate forte, mas passa depressa" disse-me alguém outrora. No meu caso além de bater forte, passa horrivelmente devagar, mas não me derruba. Nada nem ninguém me derruba. Sou como aquelas frases feitas de Facebook "Algo frágil parte facilmente, mas também corta" ou "Derrubaste-me? Então antes que eu me levante, começa a correr". A mágoa é atroz, mas também faculta uma força imensa. E já que preferes ficar resguardado para te protegeres do que tu mesmo provocas em vez de provares o que realmente vale a pena, que assim seja.
Eu nada te tenho a provar, sabes de tudo. E nada tenho a relembrar, pelo que ficarei no silêncio. Sim, podes reclamar, ameaçar à vontade. Tanta vez o fazes, que começo a ficar imune. És como uma vacina, vírus e antídoto juntos = imunidade. Estarei por aqui, mais concentrada no meu trabalho, mais empenhada no meu palácio e na minha descendência. Irei ouvir a minha música, dançar com ela, rir muito. Irei retomar a arte nas minhas mãos, já que deixei tanta coisa para trás em vão. Já que abdiquei de coisas vitais à minha sobrevivência e agora terei de passar sem elas, a bem ou a mal.
A culpa não é tua porém. Regressei aos meus tempos primordiais de Alice menina, que caiu num mundo de fantasia. Mas agora acordei e regresso lentamente à realidade crua. Nada de comparações ou sacos comuns. O julgamento é feito de forma simples e sucinta. Julgadas muitas palavras, poucas acções, demasiadas mágoas e ausências, poucos sorrisos e presenças. Nada mais.
O sol brilha novamente amanhã, mesmo que escondido pelas nuvens. E quando estas dissiparem, cá estarei eu a absorver toda a sua energia, a sorrir de olhos fechados e rosto sereno, com os meus cabelos de ouro a esvoaçarem com a brisa suave do final de Primavera.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Boa memória e os seus dissabores

Enquanto caminho pela praia, penso em tudo o que fomos, o que dissemos, o que prometemos e o que já fizemos ou ficámos por fazer. Logicamente, sei bem que temos momentos que deveriam ser eternos, porque te amo, porque me sinto bem contigo, porque temos tanta cumplicidade juntos. Infelizmente, a boa memória faz com que se relembrem situações menos boas, aquelas que ferem, magoam, as que por mais que se queira, são impossíveis igualmente de esquecer.
Palavras, palavras... tão lindas de ouvir, tão lindas de ler, mas mais importante, maravilhosas quando realizadas. Se exijo muito? Talvez... contento-me sempre e apenas com o que julgo ser melhor para mim e isso falhando, não estando nas minhas mãos para o mudar, torna-se a pouco e pouco algo que incomoda, perturba.
Ainda há pouco me disseram "Tens andado tão em baixo ultimamente..." - Pois tenho. A minha determinação de nada vale na actualidade e o sentimento de impotência deixa-me assim, apática, triste, estagnada no tempo.
A brisa do mar arrepia-me, a humidade penetra na minha pele anunciando uma noite fresca, relembrando que são horas de regressar. Parto em direcção ao carro, com a sensação que, desta vez, nada o mar levou embora da minha mente. Sinto a areia fria nos meus pés, com a esperança que o que me atormenta se estilhasse em grãos de areia, mas em vão. Chego ao carro e, sentada no banco sacudindo a areia teimosa dos pés, chego à conclusão que vou continuar a sentir-me assim por tempo indeterminado e que, o que realmente me incomoda, é andar a perder tanto tempo com o que nunca esteve de facto nas minhas mãos. Apercebo-me que, talvez não atribuindo tanta importância ao que me incomoda, talvez deixe de incomodar tanto. No entanto, há sempre o risco de deixar de incomodar... ou de fazer sentido.
Preciso do meu humor, da minha determinação, da minha força, da minha vontade, da minha gargalhada e do brilho no meu olhar, preciso regressar à Terra, deixar mundos e ideias de sonho que a nada levam.
Ligo o carro e ponho-me a caminho, mas reparo que estou perdida. Alguém me consegue encontrar?

domingo, 27 de maio de 2012

Perdida

Estou perdida num limbo doloroso, sem saber em que direcção seguir. Se por um lado te amo e não faz sentido que me afaste de quem amo, por outro lado, não faz sentido igualmente sentir receio de falar abertamente contigo (quando sempre foi algo que gostei no nosso relacionamento), ou de andar em constante angustia por não saber como agir.
Uma relação é para supostamente duas pessoas estarem bem, não para uma estar em constante sofrimento, angustiada ou receosa. Não quero, não sei viver assim, não sou assim. Estou sem forças para esta batalha na minha mente, se devo falar ou não, se devo expressar ou não, se devo viver ou não, se devo deixar andar ou não.
Quem sou eu que não me reconheço?! Onde me perdi no meio de tudo isto? Não sei quem sou. A Alice segura, decidida, determinada, está a desvanecer-se a passos largos numa menina assustada. Onde fiquei?
Cansada de me sentir sempre exausta, sem nunca conseguir entender o que é certo e errado. Onde me pergunto por tudo quando nunca fui de perguntar e sim de viver. Quero-me de volta, egoísta a pensar primeiro em mim e depois nos outros. Quero o meu regresso, onde não me sinto dependente de ninguém. Quero o meu eu, a minha força de vida, a minha vitalidade. Quero encontrar-me novamente.

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