Voltei a esta espécie de limbo, em que a minha mente tem 50 tabs abertas, imensas tarefas em aberto, ruídos por calar e um pânico absurdo de que não tenha tempo para chegar a tudo. Para ver o futuro crescer, para ver o futuro se formar, para calar finalmente o ruído e chegar à paz que tanto anseio.
A vida escapa-nos como areia fina por entre os dedos. Parece que nunca temos tempo para tudo aquilo que queremos viver. Paradoxalmente, deixamos que a vida passe, importados com coisas sem importância, incomodados com futilidades, atribuindo atenção e valor ao que não tem valor algum.
Vivemos como se houvesse sempre depois. Depois fazemos a viagem. Depois descansamos. Depois começamos realmente a viver. Entretanto, os dias passam. O corpo muda. O medo instala-se devagar, quase sem pedir licença.
O que farias se a tua vida estivesse ameaçada? O que gostarias de viver numa semana, num mês, num ano? Tenho pensado nisso vezes demais.
Talvez quiséssemos menos ruído. Menos pressa. Menos distrações mascaradas de urgência. Talvez percebêssemos que há coisas pequenas que, afinal, eram gigantescas. Um abraço demorado. O riso de um filho noutra divisão. Um chá ainda quente. O silêncio sem ansiedade. Dormir sem medo. Respirar sem pensar tanto no amanhã.
Limbo, limbo. Esse lugar suspenso que me corta o raciocínio e instala o pânico como estado de sobrevivência. Como se houvesse sempre qualquer coisa invisível a pairar no fundo dos dias, a contaminar até os momentos mais tranquilos. Uma espécie de contagem silenciosa que ninguém vê, mas que muda subtilmente a forma como se olha para o tempo.

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