segunda-feira, 11 de maio de 2026

Grey

Estou como o tempo. Cinzenta. Sem dramatismo bonito, sem metáforas inteligentes que disfarcem o óbvio. Só cansada. As últimas semanas têm-me pesado no corpo e na alma de uma forma quase humilhante, como se tivesse desaprendido a lidar com esta espécie de tristeza profunda, lenta, pegajosa. Já não estava habituada a sentir tudo tão à flor da pele. Ou talvez estivesse apenas dormente.

Faz-me falta o sol, sim, mas não aquele sol poético que toda a gente invoca quando está triste. Faz-me falta luz verdadeira. Dias leves. Rir sem ter consciência de mim própria enquanto o faço. Não analisar tudo até à exaustão. Não transformar cada silêncio numa ameaça e cada ausência numa confirmação.

Tenho saudades de versões minhas que pareciam mais simples. Não porque não seja eu própria, mas há vivências que me tornaram mais leve outrora. Das fotografias onde a felicidade não precisava de ser performativa para existir. Da sensação quase infantil de acreditar que algumas coisas eram seguras e ficavam.

E talvez seja isso que custa mais. Esta percepção crua de que a felicidade, quando regressa à memória, regressa quase sempre emoldurada. Quieta. Intocável. Como algo que existiu plenamente apenas no exacto momento em que ainda não sabíamos que ia acabar.

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