Hoje embonequei-me. Pensei no mundo das fadas e dos contos de outrora e fiz um apanhado cheio de tranças no meu cabelo dourado.
Ando a tentar fazer um esforço para me abstrair do que me consome, sabes? Daqueles monstros que espreitam na ombreira da porta do subconsciente e tentam arrastar-nos para o abismo. Sigo a tentar equilibrar-me nesta linha entre o chão firme e o vazio, como se estivesse em cima de uma corda de circo.
Há dias melhores do que outros. Há dias em que nem me recordo de que esse monstro tenta arrastar-me todos os dias; há outros em que quase cedo e me deixo levar.
Este é um dos maiores males de irmos envelhecendo. Criamos medos onde, quando éramos miúdos, enfrentávamos tudo destemidos. Vamo-nos arrastando entre receios, inseguranças e “e se’s”, como se a vida não fosse já, por si só, uma dádiva.
E eu, que adoro rir. Adoro abraços daqueles que sei serem sentidos, dados com vontade, mesmo quando me demonstro surpreendida e algo arisca aos mesmos. O contacto humano quebra barreiras. Daquelas que, por vezes, demoraram anos a erguer e que caem por terra ali, numa fração de segundos, se assim o permitirmos.
Adoro dançar. Não que o saiba fazer. Danço pelo palácio na minha solitude, ouvindo músicas que me trazem sorrisos e tristezas à memória.
Prezo muito o silêncio, de igual forma. O simples existir: apanhar sol no jardim com uma caneca de café na mão. Ou perder-me na serra, com a respiração entrecortada pelo esforço da subida.
Sou o eterno paradoxo, não sou? Não me encaixo em lado algum nem em ninguém.


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