Não me saíste da cabeça toda a manhã… para falar a verdade, andaste a vaguear pela minha mente toda a noite.
Ocorreram-me os mais diversos cenários. A cabana na serra, a praia já cúmplice de tanto, ou outros, tecidos secretamente pela imaginação. Um bar de onde fugimos do grupo, sob o pretexto de ir buscar alguma coisa esquecida no carro. O compasso de espera, nesse silêncio envergonhado de quem sabe exactamente o que antecipa. Dedos timidamente entrelaçados. Sorrisos que denunciam mais do que deviam intercalados com olhares cúmplices. A respiração suspensa.
E o toque da tua pele.
“Como será tocar-te?”, perguntaste-me.
Talvez seja essa a pergunta que ficou entre nós, depois daquele aperto de mão forte, sentido, demasiado formal para aquilo que ambos queríamos. Despedimo-nos com as mãos apertadas e tudo o resto por dizer.
E agora?
Que vontade louca de percorrer os mais de cem quilómetros que nos separam. De tornar a distância numa coisa pequena, quase insignificante. De aparecer diante de ti e descobrir, finalmente, se a realidade consegue ser tão inquietante quanto aquilo que a minha imaginação tem andado a tecer.
Quero tanto ver-te.


0 comentários:
Enviar um comentário