quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Devour

 


Química. Magnetismo.

Esse poder que me arrasta para ti como um fio invisível e tenso, condutor de uma electricidade que me desassossega a alma e o corpo.


Penso em ti com frequência. Não na cadência linear de um desejo constante, mas nas dicotomias caprichosas que me atravessam. Há dias em que o corpo se queixa, dorido e lento. Outros em que a mente se rende, exausta. Há ainda aqueles em que a química me puxa na tua direcção e quase sinto a pele arder por dentro, e os dias em que o humor se ausenta, ou, paradoxalmente, transborda. Penso em ti em todas essas variações e a conclusão impõe-se com uma nitidez inquietante: existe, de facto, algo de pouco racional que me atrai e me conduz até ti.


No meu sono habitual, leve e vulnerável, sinto-te. A tua mão quente desliza pelo meu pé, sobe devagar, enquanto a tua respiração me roça e os teus lábios exploram a minha pele como se lessem um mapa secreto. Não há palavras. A tua boca envolve-me e devolve-me o meu próprio sabor, para logo regressar ao ponto de partida.


As minhas costas arqueiam de forma rítmica, ajustadas à tua língua, que prossegue com mestria e me deixa quase num estado ébrio. O seu a seu dono. O mérito de entrar em clímax na tua boca, onde me permito alguns espasmos antes de te puxar para mim e te beijar de forma sôfrega, querendo sentir-nos inteiros dentro desse beijo.


Pouco depois viras-me de costas e sorrio. Ofereço-te o corpo com o peito contra a cama enquanto escuto o teu murmúrio rouco:


“Foda-se, Alice. Que visão…”


Balouço lentamente de um lado para o outro, felina e provocadora, até te sentir. Não te concedo entrada cautelosa. Empurro-me contra ti com urgência firme, gemendo, impondo um ritmo febril, contraindo-te dentro de mim, adivinhando o teu desfecho iminente. A excitação cresce tanto que paro. Viro-te, lanço-te para a cama e cavalgo-te com força e cadência, sentindo-te ceder, conduzindo-te comigo até um novo clímax, desta vez em uníssono.


Quando acordo, não estás ao meu lado. Invadiste o meu sono leve e dele não saíste.


Na realidade? Só o tempo o dirá.


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