terça-feira, 10 de maio de 2016

Lisbon Streets

A nossa capital é enorme. Passeio por ela de norte a sul, de este a oeste. Nunca me passou pela cabeça voltar a ver-te.

Pensas de forma diferente, vives de forma diferente, gostas de coisas e pessoas diferentes.

No entanto, há 3 noites atrás voltei a cruzar o meu olhar com o teu. Vi surpresa, vi dúvida. Numa fracção de segundo revivi todo o meu sonho e pesadelo contigo. Uma pequena fracção de segundo, em que depois descruzei o olhar e segui em frente, nunca olhando para trás.

Bem sei que passando nessa rua específica, a pé, correria esse risco. Mas já passei por ela tantas vezes que, àquela hora e daquele lado não pensei que fosse provável.

Não penses no entanto que passei nesse local por tua causa. Já não habitas a minha memória por boas lembranças, antes pelo contrário e já aprendi a despegar-me do que me faz mal.

Nada sei de ti. És um estranho. Tudo aquilo que foste de bom, fui eu que o sonhei, imaginei, me forcei a crer que eras. No entanto, tantos foram os choques de frente com a realidade que finalmente me permiti acordar.

Uma fracção de segundo e toda a angústia, agonia, perda, dor, voltaram e habitaram em memórias por 5 minutos. Não te dei mais tempo de antena.

Ver um fantasma nunca é uma experiência boa. Fica a certeza que embora adore aquele restaurante, dificilmente lá volto.

sábado, 16 de abril de 2016

Tudo se perde.



Acendo um cigarro depois de muito tempo sem fumar. Sabe-me mal.
Questiono-me ao que saberá o teu beijo agora. Já não o sinto há tanto tempo. Certamente melhor que esta porcaria fumacenta e mal cheirosa.

Recordo cada gesto e cada palavra tua da última vez que te vi. Não consigo evitar que me faças rir com coisas que outras pessoas poderiam considerar ofensivo. Mal consegui tocar-te. O tempo urge e não sobra para aquilo que se deseja.

Manter-se-á esta química? Este desejar sôfrego de algo que ambos sabemos que não leva a nada mais que um consumir momentâneo de calorias?

Fico à tua espera. Que fales comigo. Que me digas por fim aquilo que ambos desejamos.

Data e hora.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Spring

Voltou o sol.

E eu com ele.

Estive muito tempo doente. Três anos a definhar, com um vírus que me ia sugando a vitalidade e tudo o que conseguia.

Este último ano foi de convalescença. De recuperar energia, de caminhar pelo meu próprio pé e com cuidado, numa espécie de bolha Actimel para evitar mais contágios.

Foi uma recuperação longa, mas estou de volta.

Voltou o sol.

E eu com ele.

Olá Mundo!

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Lost

Os olhos pesam, estão inchados e ardem com o sal de lágrimas extintas. 
Mais do que um passado triste, como se consegue esquecer um passado bom?
Fui tão feliz naquela altura, e choro por não conseguir ser novamente. Perdi tudo.A minha independência, a minha vontade de viver, a minha alegria, o meu humor. Perdi-me algures, no perdão, no acreditar, no amar com consciência que era apenas uma miragem. Insisti em atravessar um deserto onde tudo o que vi do oásis foi uma doce ilusão.
E agora estou aqui. Parada, sedenta, sozinha num vasto deserto sem saber para onde me dirigir, o que fazer para reencontrar o caminho certo.
A culpa é minha e só minha... no fundo sempre soube que jamais conseguiria perdoar traições ou quem me tratasse mal, mas acabei por me agarrar àquela doce miragem do passado, doce. Tão doce... que me derretia. Sentia-me em uníssono com outra alma. Tanta coisa em comum, tanto amor mútuo para dar, tanto desejo que nos fechava todo um fim de semana num quarto e esquecíamos o mundo lá fora. Tanto toque quente, reconfortante, tanto espasmo de músculos doridos mas gozados, tanta memória de vozes calmas, doces, sorrisos quentes de olhos brilhantes.

Perdi-me. Não sei o que fazer ou como fazê-lo. Não sei como retomar as rédeas do meu cavalo perdido no deserto abrasador. Não sei onde estou nem me conheço. E o único líquido que sinto são lágrimas salgadas que não me matam a sede.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Take your mask off

É Carnaval. Talvez por isso não seja preocupante tirar a máscara e optar por outros papéis. Afinal, e principalmente nesta altura do ano, como vai alguém saber se é máscara ou, na realidade, a ausência da mesma a falar?

Relações, compromissos, encontros ocasionais, uma mistura de ambos?


Todos sabemos, é socialmente correto manter uma relação, a felicidade constante, o amor. Mas o que é amar? Onde difere do gostar?

O que é melhor para nós, melhorias ou constrangimentos financeiros de parte? Será melhor aquele porto seguro, o conforto do dia-a-dia daquela pessoa ao nosso lado? Em quem podemos confiar, desabafar, amar, conversar?

Ou será melhor a nossa casa, a nossa solidão, o nosso porto seguro? Em que convidamos esporadicamente alguém para atracar nesse porto? Em que nos rimos, conversamos, seduzimos, vivemos paixões tão intensas quanto rápidas?


Existe no entanto o temido meio termo. Aquela pseudo-relação que podemos manter com alguém, que amamos, que conversamos, que confiamos, que desabafamos, que seduzimos mas que, traímos. Se alguém trai, não ama? Ou é possível amar, mesmo traindo?

Muitos acreditam ser o melhor de dois mundos, desde que devidamente planeado e controlado. Acreditam no "porque não manter o meu relacionamento, quem amo, em quem confio e com quem desabafo, que me apoia e manter em simultâneo a loucura da paixão esporádica, o flirt constante que alimenta egos, a novidade fresca que quebra rotinas?".

Tirando a máscara, o que mais nos interessa enquanto seres humanos? O seguro, a aventura, o seguro com a aventura eventual?

Valerá a pena manter a relação estável, perdendo toda a liberdade para as paixões ardentes, inesperadas e fogosas?
Valerá a pena nos mantermos solteiros, sem compromissos, mesmo que a determinada altura essa decisão nos custe uma solidão forçada?
Valerá a pena arriscar algo que julgamos seguro, definitivo, por tentar abraçar ambas as soluções em simultâneo?

Afinal, o que é o amor, a paixão? De que se trata fidelidade, confiança? Está o ser humano tão dependente de terceiros, que chega até a arruinar-se a si mesmo por flirt, paixão ou amor?

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Come

Vem. 

Retira-me o sentido da visão e envolve-me em todos os outros. Sussurra-me ao ouvido, arrepia-me a pele, percorre cada curva do meu corpo como tão bem sabes fazer. Não tenhas pressa, entrega-te a todos os sentidos, alheia-te da realidade, da monotonia, do dia-a-dia que nos sufoca e impede de sonhar,de sentir, de respirar. 

Vem.

Envolve-me nos teus braços, pega-me ao colo para que te possa envolver nas minhas pernas. Entrega-me a tua língua naquele beijo que me vira do avesso e me faz esquecer tudo. Oferece-me toda a tua luxúria de modo ofegante, enquanto me dizes roucamente que me queres todos os dias.

Vem.

Sente o prazer que escorre sem vergonha. Sente as minhas unhas na tua pele, no doce desespero de te sentir mais e mais. Sente o envolvimento sem pudores, sem horas marcadas, sem destino traçado. Despe-me enquanto sinto o teu odor corporal, agarra-me com força como se eu pudesse fugir do teu alcance.

Vem.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

So let's say... it's Valentine's day.


É dia de S. Valentim.  O que fazem para surpreender a V/mais que tudo? As flores? Os chocolates? O jantar fora?
Estás sem dinheiro. O que fazes?
Discutiram. O que fazes?

É dia de S. Valentim. Passaste uma semana infernal. Nada correu bem. Fechas-te nos teus pensamentos em como andas frustrado por nada dar certo na tua vida. Choras por decisões que foram tomadas como sendo as mais acertadas, mas que te transformam num monstro.

Sabes que fazes por merecer mais, mas ninguém te dá valor. Sabes que o ideal é seguir em frente, mas não tens forças para enfrentar o que é necessário.

A semana chega ao fim. Uma espécie de 1st round. O fim-de-semana é uma pausa de modo a se tentar restabelecer energias. Mas acabas por ceder. Crês que não vale a pena mais luta, mais discussão. Que o ideal é aguentar todos os round's e conseguir manter alguma paz de espírito, mesmo que seja contra aquilo que a tua mente te grita.

So let's say... it's Valentine's day. Neste cenário, o que fazes?

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

12 de Fevereiro


Faz hoje, precisamente, dois anos que te conheci. Faz hoje, precisamente, dois anos em que comecei a encarar a vida de outra forma, em que comecei a acreditar ser possível um futuro a dois.
O decorrer do tempo, a noite passada, as noites passadas, mostram-me que não. Não contigo, não connosco.
Já não tens os mesmos desejos que tinhas, se é que os tiveste um dia... e os meus, mantêm-se.
Eu quero aquilo a que tu chamas de "constituir família, peka, peka, blá blá, blá", que traduzindo, significa alguém do meu lado, confidente, cúmplice, amante, amigo. Quero fidelidade, respeito, amor, prazer. Quero a aliança perdida, a promessa de uma vida a dois, a cumplicidade rumo a um futuro promissor.
Não quero mais isto. Não quero mais esta insegurança, a discussão fácil de ameaça de derrocada. Nunca foste nem quiseste nada do que me disseste inicialmente, pois não?
Questionaste-me acerca de uma boa razão. Talvez devesses questionar qualquer pessoa que conheças, que tenha tomado essa decisão. Pergunta o porquê, porque a resposta é comum a todos eles ou elas.
É o significado, é o amor, a paixão, o respeito, a lealdade, a fidelidade, a cumplicidade. É o saber e ter a certeza do sentimento que se tem, é o mostrar sem receio que é o que se deseja para uma vida, mesmo sabendo que haverá sempre contratempos, altos e baixos.
É isso que desejo para mim, aquele que me disseste ser, quero o constituir família, o "peka peka, blá, blá, blá", quero ser feliz com alguém que não veja a vida apenas como "um dia de cada vez e logo se vê". Quero mais, quero o arriscar, quero que arrisquem do meu lado. 
Estou cansada de enfrentar tudo, do permitir tudo, o dar mais uma oportunidade para o desfecho estar cada vez mais distante do que outrora nos era comum.
Sou mais, quero mais, desejo mais, mereço mais.

E dois anos depois de uma promissora conversa, de uma promissora noite, tenho tão menos do que o previsto... que não quero mais menos.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Expectations


Foram muitas, tantas.
A expectativa de finalmente manter um sorriso no rosto, mesmo contra todos os males exteriores ao meu palácio. A expectativa do apoio, da protecção, do ser tomada conta.
Recordas aquela felicidade inicial? Aquele acordar bem disposto, mesmo após (e apenas) 3 horas de sono? Aquele sorriso e bom humor que nada conseguia fazê-lo dissipar? 
Recordo de o ter sentido, mas já não lhe sinto o sabor, a sensação quente e acolhedora. Aquele calor que nos aquece por dentro por nos sabermos a amar e a ser amado.
Hoje, existem todos os fantasmas do passado. Com eles, uns mais recentes. Tendem em roubar-me o sorriso do rosto e, como o cinzento do céu e a chuva que cai, é agora a minha expectativa. Cinzenta, fria, com lágrimas que rolam, apesar de não se deixarem ver.


Talvez tenha sido um sonho. A expectativa "daquele" ser especial.
Hoje há a ira, a frustração, a incapacidade de agir, a dor auto-infligida por não haver coragem para mais. Hoje há a acusação, o silêncio, a dúvida,  a desconfiança. Hoje há o incerto, o cada dia que passa a questionar "será o correcto a fazer?".
E no fim de tudo, há a vontade de desistir, de entregar pontos, de deixar de lutar. Há a vontade de não querer saber, do deixar andar, do ignorar.
O que nos sobra? Sim, entre mim e ti. O que sobrou? Uma rotina doentia em que me sinto pressionada a ser e a continuar a dona e senhora de todas as decisões? A responsável, aquela que pensa sempre muito antes de agir, a que tem cuidados redobrados, para não ser mais que  isso, uma ampara golpes alheios? Estou cansada do tomar conta. Quero agora descansar, quero que tomem conta de mim.
Quero deixar de ser a altiva, a forte, a corajosa. Quero passar a ser a pequenina, a protegida que defendem a todo o custo contra seja quem for.


Mas isso, tanto tu como eu, sabemos que nunca irá acontecer. Tu, por não seres capaz, eu, por não saber ser de outro modo, nem confiar a minha vida  a nenhuma alma viva deste planeta.
Deixaram de existir os dias solarengos, apenas existem alguns raios de sol tímidos, como um início de Primavera, quando existe alguma folga no nosso ouro actual. Nada há a não ser essa ilusão temporária, esse lusco fusco que se entranha na minha alma, fazendo-me querer acreditar que é um dia de pleno Verão.
Mas não é, pois não?
Uma vez o proferi, e uma vez mais essa verdade crua, fria e suja me vem à mente. Encontraste apenas um novo covil, um que talvez fosse mais duradouro, na eventualidade de saberes fingir melhor. Mas não o fazes, e esperas, no teu íntimo, que o que fazes seja suficiente até existir uma escapatória mais satisfatória. Mas não há, nem vai haver. Sabes?
Eu sei... o meu palácio foi em tempos um covil fantástico. Cheio de sorrisos, brilhos de olhares, e poros dilatados em plena luxúria, em fins de semana bem preenchidos.
Havia aquela privacidade mórbida, em que apenas se sabia o que era conveniente saber. Depois? Os dias de sol murcharam, rumo a um Outono invernoso. Depois? O brilho só existiu na presença da lágrima, os poros na presença da mágoa.
Hoje, os meus fantasmas andam presentes, mais do que nunca. Hoje, eles segredam-me ao ouvido em como tinham razão, em como me iludi com um mero e solitário raio de sol, pensando que fugiria ao escuro do Inverno. Hoje, as expectativas são apenas de sobreviver, de me arrastar nos dias, esperando que os dias de inverno passem um dia e que me deixem apreciar o sol.
Hoje, já não há expectativas.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Reborn

Renascer. Lentamente retorno ao meu normal. À minha capacidade de me saber mulher. Bonita, loura, interessante, inteligente. Reconheço o meu valor. Importante? Eu. Tudo o resto é opcional. Ego volta a subir, a minha confiança instala-se novamente. Reaprendi que jamais se deve viver em função de alguém, que não seja eu mesma.
Renasci. Sinto o sol a queimar-me a pele, o mar que me rodeia as pernas, as vozes ao fundo esbatidas. Respiro fundo, de olhos fechados, enquanto apanho o cabelo. A brisa do mar borrifa-me a pele com uma frescura agradável e deixo-me ficar, refrescada, a pensar em ti.
O teu silêncio inquieta-me, porém. A última vez que ouvi a tua voz,  foi breve, impessoal. Fugias-me por entre os dedos sem eu conseguir apanhar-te. O que se passa?
Sinto falta do teu cheiro, das tuas mãos e dos seus afagos fortes. Da tua respiração a ofegar no meu ouvido, da forma provocadora com que me olhas sempre. Preciso sentir aquela loucura urgente que atenua todo o caos da minha realidade. Procura-me! 

terça-feira, 18 de junho de 2013

X-Ray

Trocámos de papéis. Eva a emocional, tornou-se na Eva racional. Eu por minha vez, virei emocional. Enquanto me vejo num reflexo de um espelho que estampa uma felicidade aparente, Eva espreita pela objectiva, racional,  concentrada, detectando o melhor ângulo, a melhor luz, o melhor enquadramento, de modo a captar a essência real e não aparente.
Eva avalia os negativos das fotos. Revela-os.
Enquanto Eva me confidencia, de ar apreensivo, o quão errada estou devido ao meu lado emocional, penso com clareza em como concordo com ela, sem porém tomar a decisão acertada.
- Está à vista, Alice. Como é que és capaz de não ver? A mágoa fez-me ver. A revolta fez-me ver. A injustiça fez-me ver. E tu, que sofres tudo isso na pele, como és capaz de deixar andar?! Acorda!
Desta vez, Eva não está com o seu ar angelical de caracóis largos dourados. Tem um ar carregado, austero. Parece uma femme fatale. Veste de negro, excepto a fita de cetim cor de pérola que lhe segura os caracóis. Sinto-lhe o perfume forte e aromático, Amarige da Givenchy. Tem um ar decidido, como se o seu primeiro objectivo fosse agora convencer-me a fazer o correcto.
Eva conhece-me bem. Consegue sentir que lhe dou razão, mas também detecta o motivo pelo qual não me decido. Cabeça e coração sempre em conflito. Olho para as imagens paradas no tempo, momentos. Bons momentos. Mas não passam disso, de momentos, uma fracção de segundo captada numa imagem que retém um sorriso sem demonstrar efectivamente o que vai na alma.
Eva adivinha os meus pensamentos.
- Ninguém vive de imagens paradas no tempo, de sorrisos forçados ou mesmo sinceros provocados pela circunstância momentânea. Ninguém é 100% feliz, mas a ti? Vejo-te maioritariamente de semblante triste. Não te vejo feliz ou alegre, nem sequer te vejo a sorrir genuinamente. Sabes o que tens a fazer e estás somente a adiar o inevitável. Há seres que não foram feitos para amar mais ninguém a não ser eles próprios. Que pensam acima de tudo neles próprios. Que não são capazes de tecer e seguir objectivos comuns. E tu, minha querida Alice, és tanto, és mais, és melhor. Acredita que  é preferível te sentires só, por estares sozinha, do que te sentires só, por não te saberem acompanhar. Faz um raio x do início ao fim, verás que terás de agir.

sábado, 15 de junho de 2013

Sex


"Sex is part of nature. I go along with nature."
Marilyn Monroe

domingo, 9 de junho de 2013

Gift

Aqui me tens.
Loura, apenas com uma fita de cetim que enlaça um presente delicado e requintado.
Aqui me tens.
De caracóis largos que caem em cachos dourados, ávidos de sentirem o teu afago.
Aqui me tens.
De eye liner e rímel, nada mais. Para que fixes o teu olhar no meu, antes de tomares a minha boca  na tua.
Aqui me tens.
De salto alto, pernas longas que te desejam entre elas, assim como as desejas em teu redor.
Aqui me tens.
Cheiro doce a côco que tanto adoras, que nos transporta para dias de calor, de sol, de suores mútuos.
Aqui me tens.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Can I use you?

Quero usar-te, abusar-te, lambuzar-te. Quero-te aqui, a ofegar no meu ouvido, de olhos brilhantes pelo reflexo dos meus, sentir os meus cabelos entrelaçados nos teus dedos, prender-te num abraço entre as minhas pernas.
Quero que me consumas, que me ames, que me desejes, que seja a única mulher na tua vida. Quero que tenhas a capacidade de desligar o meu racional e de ligar o meu sensorial.

sábado, 20 de abril de 2013

Fim

Mas são mais os dias do que os momentos. E fartei-me. É isso, estou farta. Não me apetece falar mais, discutir mais, repetir o que já foi dito. Leio, releio, volto atrás e vejo que de Fevereiro de 2012 para cá em vez de ter ficado a cada dia mais feliz, me vi enredada em tanta merda que só me fui afundando. Por isso, já chega. Quero EU agora, a minha vida de volta. Chega de só pensar nos outros, perdoar tudo e ainda ser comida por estúpida. Tudo de bom para ti, felicidades!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Reality


Onde estás? Anseio por ouvir o teu respirar, o teu sussurro no meu ouvido. Anseio pelo teu toque leve na minha pele, sentir-me arrepiar à medida que a temperatura corporal sobe. Perdemo-nos algures? Mal recordo a tua voz doce, o doce passado recente de uma gargalhada sincera, do brilho no olhar, da felicidade sincera por te saber meu, mesmo sabendo que todas as tuas promessas são vãs, fúteis, utópicas.
Temos sempre de nos agarrar a algo no entanto. A doce mentira é por vezes mais agradável que a crua realidade. Recordo planos, sonhos, vontades. Que se vão desvanecendo a uma velocidade demasiado cruel, rápida.
Sei bem da minha realidade cruel. Nada é como imaginamos, não é? As expectativas facilmente descarrilam para desilusões. Esperamos demais quando amamos, quando nos sentimos amados, quando desejamos, quando nos sentimos desejados. 
O amor não passa disso, de uma necessidade humana. Como a cocaína, o amor é guloso. Tudo tão maravilhoso no início, mas... ao se tornar num vício, torna-se doentio, sôfrego, provoca dor e angústia quando não conseguimos senti-lo.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Auto Retracto


Não me apetece estar aqui com "escritas criativas", à procura das palavras correctas ou onde colocar a vírgula, ou até mesmo quando mudar de parágrafo. Estou cansada. Faço e desfaço, gosto e desgosto, quero e desprezo. Sou oito e oitenta e, signifique isso que o significar, sou eu.
Irrita-me quem me julga, principalmente quando não me conhecem minimamente. Por vezes ignoro, mas a grande maioria das vezes não. Fico danada, revoltada, frustrada. Até poderia mexer-me para desmistificar determinadas questões, mas para quê? Havendo interesse nesse sentido, não haveria sequer julgamento, certo? Aguardo antes e pacientemente pelo karma. Essa tal coisa que referem os entendidos (ou não) que está sempre atento e não dá ponto sem nó.

Se sou perfeita? Como alguém me diria... jamé! Mas não sou egoísta, nunca fui. Sou uma crente na Humanidade, num Mundo onde existem pessoas cada vez menos humanas. Questiono-me frequentemente do porquê de serem assim, que proveito ou gozo lhes dá em serem cruéis para com os outros, mesmo que não seja comigo. Logicamente não sou uma coitadinha. Se me tentam pisar, faço questão que engulam com violência o meu salto alto, embora isso não me faça má pessoa... apenas defensiva. Considero-me a presa, não o predador.
Sempre soube que para benefício próprio, é preferível inverter o coração. Lado bom para dentro. Lado mau para fora. Raramente as pessoas sabem lidar com o bom que lhes dão. Ou não dão valor, ou exigem como se se tratasse de uma obrigação.
Eu sou uma ponderada por natureza. Vejo sempre prós e contras, analiso todos os lados de uma questão para poder opinar. E sim, raramente me engano. A não ser quando o assunto em causa sou eu. Tenho uma tendência pérfida para comigo mesma. E tudo devido ao orgão que bate no peito a quem culpamos malefícios e benefícios emocionais.
Terei de fazer uma limpeza geral. Começarei amanhã mesmo pelo palácio, depois comigo e por fim, com tudo e todos que me rodeiam. Preciso mudar de ares.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Perspectivas

Captas  a minha imagem, tens um vislumbre da única forma que consegues ver-me. Não te sintas inferiorizado, porém. Aproveita e contempla a tua perspectiva, é interessante. Admira o céu azul que já vai espreitando mais. Mas tem sempre em mente que num abrir e fechar de olhos, te deixo encurralado por entre o meu salto alto. Atreves-te?

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Um ano


Há um ano atrás, Sábado, noite de Carnaval. Estava nervosa a preparar-me para sair. As minhas pernas tremiam, assim como as minhas mãos agarravam inseguras o volante. Não sabia que estava a dirigir rumo a Lisboa, no intuito de mudar toda a minha vida, quem sempre fui.
Ao longo de um ano, criei cicatrizes que irão marcar o resto da minha vida. Irei relembrar sorrisos, angustias, toques, gestos, vozes, gritos e choros.
Um ano, doze meses, 365 dias que passam agora num loop vertiginoso. Prognóstico? Dizem ser apenas no final do jogo.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Secret

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Im Possible.


Nothing is Impossible. The word itself says "I'm Possible".

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Três


Encontro-me na minha cama, no meu palácio, sozinha. Permito-me pensar em ti e rapidamente o meu edredão se torna quente demais. Toco no meu corpo quente que estremece com a minha mão fria. 
Onde andas? Quando fecho os olhos vejo-te num sem numero de situações, de cenários diferentes. É então  que bates à porta. Vejo o teu sorriso mesmo antes de me privares da visão. Puxas-me para ti, decidido, tu comandas, eu deixo. Passas a língua nos meus lábios de forma lasciva e prendes-me os pulsos. Tu comandas, eu deixo. Deixas de me tocar. Sinto que me observas, e sinto mais uma presença no espaço. A gola decotada da minha camisola de malha é puxada para baixo com força enquanto uma boca que  não é a tua se apodera do meu peito. A ti, sinto-te a inclinares-me, queres-me de joelhos. Acedo ao teu pedido sem que a presença me largue o peito. Está ávido por me poder tocar. Sei que é um homem. Sinto-lhe a barba a roçar no peito a cada investida. 

Tiveste o cuidado de colocar uma manta no chão, para meu conforto. Mas a tua delicadeza acaba aí. À medida que vou respirando de forma cada vez mais sôfrega, à medida que me entrego cada vez mais aos sentidos, sinto dois dedos teus a penetrarem-me. Conheces cada saliência interior minha, todos os meus relevos internos ávidos de sentir a pressão do teu toque. O estranho larga-me finalmente e afasta-se por instantes. Oiço-lhe o cinto das calças,  uns ténis a serem descalçados, uma ganga a sair do corpo.

Mas não lhe dou muita importância. Recebo o teu toque no meu pescoço, o teu hálito quente no meu ouvido, sem parares de me penetrar. Sentes as  minhas ancas a moverem-se ao mesmo compasso da dança dos teus dedos. "Isso minha bailarina. Dança para mim Alice..." - O estranho volta. Sinto-lhe o sexo duro junto do meu rosto, mas rapidamente o afastas. - Já te divertiste por hoje. Agora ela é apenas minha. Senta-te, assiste e goza apenas com a visão.
Sorrio. Tu comandas, eu deixo. Oiço o estranho fazer um esgar, mas obedece-te. Sinto-o sentar-se no sofá, observa-nos excitado. Voltas a mim. "Um dia também o terás, Alice. Mas não hoje. Hoje és apenas minha e dos sentidos que te afloram a pele." - Mordes-me o pescoço, beijas-me e trincas-me o lábio inferior enquanto me agarras no fundo das costas num abraço que me puxa para ti. Continuo de pulsos algemados atrás das costas, louca por não poder tocar-te, louca por sentir o teu cheiro e a tua pele quente em mim. Trazes os teus dedos à minha boca enquanto os chupo, ávida do meu sabor, ávida de te sentir.
E sinto. Elevas-me ligeiramente agarrando-me na anca, sinto-me escorrer no impasse de te sentir duro junto a mim. E eis que chega o momento. Tocas-me com o sexo, sentes toda a minha excitação a escorrer por ti, imediatamente antes de entrares de uma só vez, com uma só estocada, gemendo de forma audível, fazendo com que te engolisse todo. Escorregas para fora e para dentro ao mesmo tempo que te vais roçando em mim. Escutas a minha respiração, os meus gemidos, a dança de ancas cada vez mais acelerada. Notas-me o peito excitado, deixando antever o desfecho esperado. Todos os meus sentidos se concentram agora no meu baixo ventre. As estocadas fortes, o roçares-te em mim, a respiração que fala por mim e me denuncia  num orgasmo próximo. "És a minha princesa, a minha bailarina, mas neste preciso momento és a minha puta. Vem-te para mim, deixa-me encharcado com o teu prazer, sente-me cada vez  mais forte, mais rápido, mais fundo! Vem-te Alice!" - Tu comandas, eu deixo. À medida que o meu corpo reage ao orgasmo com espasmos involuntários e gemidos audíveis, oiço o estranho vir-se também, no deleite da visão que lhe proporcionamos. Penetras-me apenas mais duas vezes, mais fortes ainda, e oiço o teu grito grave, de prazer contido até à ultima. Em seguida, colas-te em mim, sem saíres do meu interior, beijas-me de forma intensa e abraças-me suspirando. Senti a tua falta, mas não te digo.
O silêncio é quebrado pelo estranho. Oiço-o vestir-se e parar diante de nós. - Sai e espera por mim no carro - Ordenas-lhe. O estranho obedece. Sinto o seu toque numa breve festa no meu rosto e afasta-se fechando a porta atrás de si. A sós, libertas-me os pulsos, retiras-me a venda do rosto para trocarmos aquele olhar cúmplice. "Senti a tua falta, Alice." - Também senti a tua falta, mas não te digo. Entrego-me ao teu abraço terno e retribuo-te com um sorriso. 

Tu comandaste, eu deixei. Mas agora é tempo de ires. Passo-te com a língua pelos lábios e a mão no desenho das tuas sobrancelhas. Acompanho-te à porta e dás-me um último beijo, daqueles que sabes serem avassaladores, que me viram do avesso. Mas afasto-te e empurro-te para fora. Tu comandaste, eu deixei. Mas por agora é só.
Fecho a porta sem espreitar ou olhar para trás. Abro a torneira do chuveiro, visto o roube turco enquanto o vapor começa lentamente a invadir o espaço. Olho-me no espelho. Tenho o rosto ruborizado e o corpo gozado.
Sorrio e entro no duche. Sinto a água quente a relaxar-me os músculos e fecho os olhos, pensando com curiosidade quem seria o estranho voyeur que trouxeste ao meu palácio.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Take your time


Invades-me a mente à medida que o meu corpo é invadido por sensações. Sinto o toque suave por todo o meu corpo, a barba que me arranha a pele, o calor dos lábios a beijarem-me o pescoço. Fecho os olhos e deixo-me levar apenas pelo sabor do toque, no silêncio, no escuro que apenas permite alguns vislumbres.
Consomes-me com a língua, perdido em todos os meus recantos, enquanto vou respirando de modo descompassado, as minhas costas vão arqueando, uma e outra vez enquanto me roço em ti e te sinto crescer à medida que soltas um gemido rouco no meu ouvido.
A tua língua toca-me no mais íntimo, saboreias directamente da fonte do néctar que tanto adoras, enquanto vibro e me agarro à cabeceira da cama, inebriada, zonza de prazer. Não aguento mais e viro-me de barriga para cima. Permites-me o movimento de me virar, apenas para me invadires novamente enquanto acompanhas os espasmos quase espontâneos do meu corpo.
Daí ao êxtase total não falta muito. Sabes que me perco em preliminares demorados, que fico fora de mim. Conheces o meu corpo ao ponto de saber quando expludo e quando deves largar-me. Sabes que deves beijar-me trazendo o meu sabor até mim. E sabes que deves entrar em mim e gemer ao meu ouvido, enquanto te contraio para te vires como louco e caíres nos meu braços, num abraço de pele com pele.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Imagens

Escritório este, sossegado. Mas hoje, troquei o aborrecimento por imagens. Imagens guardadas algures num qualquer recanto da minha memória. Toco-me, quase sinto o teu sussurro no meu ouvido, oiço-me gemer como se estivesses presente.
Num abrir e fechar de olhos, corro para o meu palácio. Estou apenas de lingerie e com um roube curto de cetim negro a cobrir-me, quando te oiço bater à porta. Não há tempo para palavras, só um breve segundo para fechar a porta. Depois, sinto a tua língua enrolada na minha, sinto as tuas mãos a percorrerem-me o corpo, ouvimos as nossas respirações aceleradas à medida que nos despimos mutuamente enquanto vamos lentamente atravessando o corredor do palácio.
A minha mão escorrega no aparador à nossa passagem, documentos caem no chão e sentas-me nele. Ficas de joelhos à minha frente e denoto um brilho no teu olhar com um sorriso ligeiro, imediatamente antes de me saboreares como só tu o sabes fazer. A minha respiração fica mais descompassada, sinto os meus abdominais em espasmos de prazer enquanto te agarro os cabelos com força. Mas não estás satisfeito. Levantas-te e trazes o meu sabor à minha boca num beijo profundo.
- Vou pegar em ti Alice, vou colocar-te uma venda, prender-te os pulsos e devorar-te. Preciso recuperar o tempo que não estou contigo, preciso ouvir-te gemer, preciso sentir-te vibrar à medida que a tua pele começa a brilhar. Quero que te venhas, que grites, que fiques exausta apenas com o prazer que te posso dar. - E pegas-me ao colo, enquanto solto uma gargalhada ao ver o rasto de destruição naquele corredor. Atiras-me para a cama, mas consigo fugir do teu abraço-cadeado. Rodeio-te e fico por cima de ti, prendendo-te os pulsos. Sei bem que não tenho forças para te prender, mas deixas-te ir nas minhas intenções. Sorrio para ti antes de te cobrir de beijos e me roçar em ti. Antes de te soltar os pulsos que, uma vez livres, se movimentam para me colocar uma venda de veludo negro.
- Não precisas da tua visão Alice. Sabes bem quem sou, o que me move, o que desejo. Entrega-te aos sentidos, entrega-te a mim. - Assim o faço. Fico na cama de joelhos, com os pulsos presos por ele atrás das costas, enquanto sinto a sua barba recente a descer pela minha espinha. Sinto o seu cheiro, inebriante. Sinto ele soltar-me os pulsos e a impelir-me para a frente de modo a ficar de barriga para baixo. Prende-me os pulsos na cabeceira da cama e começa a sua longa viagem, visitando e cheirando todos os recantos do meu corpo, como se certificando da minha identidade.
Tudo está inalterado, como uma foto tirada algures, numa tarde aquecida por nós.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Me, myself and I.


Only my interests are important. Are you with me? Great. If you're not, get lost from my sight.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Random notes

-Nada me incomodava naquilo. Mas actualmente repugna-me. Considero uma aberração, seres que poderiam ser erradicados da face do planeta. Detesto-vos! Seres asquerosos! - Mais uma recaída de Eva.
- Eva, sabes que no fundo não é neles em quem incide a culpa. Ninguém o chamou, ninguém o aliciou. São eles os procurados. Quem te viu e quem te vê Eva... mantém a tua essência, não permitas que isso te abale mais. Já foi. - No entanto, ela continua na sua luta eterna, tentando apaziguar uma mágoa disfarçada de ódio. Mas não sei se se libertará alguma vez desta sombra incómoda.

- Andamos sempre nisto, Alice. Uma a amparar a outra. A mim apeteceu-me ligar-lhe, mas apaguei o número. E apetece-me dizer-lhe tudo com todas as letrinhas de como me sinto magoada, revoltada! - E a mim revolta-me vê-la assim. Como quando essa sombra me aparece pela frente, eu sorrio, falo normalmente, mas que só me apetece exterminá-los a todos. Apetece-me gritar-lhe, sem nada dizer. Só gritar. Quero que esta necessidade de esquecimento do "Porquê?" de Eva se torne real de uma vez por todas.
Olho-a com um sorriso terno e abraço-a carinhosamente:
- O esquecimento por vezes concretiza-se, Eva. Esqueces o que aconteceu cada vez que lhe vês um sorriso, cada vez que ele te admira, cada vez que ele demonstra o amor que nutre por ti. Aí esqueces tudo. Tu que querias ligar e acabaste por apagar o número, tu que queres gritar e acabas por lhe sorrir e amar de volta... - E pisco-lhe o olho. Suspiro. Saio para fumar um cigarro. Eva vem a saltitar atrás de mim. Sempre linda esta miúda. Mesmo com tantas dúvidas parece sempre andar optimista.

Olho para o céu, não entendo nada. Não sei como perdi o controlo desta maneira. Desde aquele dia que toda a minha estória com ele passa diante dos meus olhos, em loop. Eva parece compreender.

- Lembras-te como tudo começou? Foi lindo, não foi? Sempre que o recordo é como se me apaixonasse novamente, uma e outra vez. - E suspira. Sorrio-lhe de volta. - Lembro-me de todos os sorrisos e de todos os abraços quentes e acolhedores. E continuo a acreditar que esses pequenos gestos não são fingidos, Alice. É impossível fingir-se por tanto tempo. Não pode ser...
Percebo para onde está aquela mente a divagar. Opto por a distrair. As boas lembranças ajudam a evitar as más.

- Eva, lembras-te quando me ajudaste a arranjar-me? Quando invadiste o meu closet e te puseste a conjugar saias com camisas, vestidos com casacos? Deixaste uma trapalhada atrás de ti, mas até correu bem, não foi? - Eva olha-me e sorri. O seu semblante fica de imediato mais leve. Conto-lhe então o que aconteceu nesse fim-de-semana. Em como me senti segura, inatingível, poderosa. Em como o seduzi entre as minhas pernas longas com sapato de salto alto.

Eva ri-se, de olhos a brilhar, feliz por me ver a tomar as rédeas novamente como "só eu sei fazer" - diz ela. E começa a cantarolar e a dançar à minha frente:


She's just a girl, and she's on fire
Hotter than a fantasy, longer like a highway
She's living in a world, and it's on fire
Feeling the catastrophe, but she knows she can fly away...!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Os devaneios de Eva

O palácio encontra-se em silêncio. Ouvem-se ruídos ao fundo. Um automóvel que buzina, motores ao longe que se movimentam. Uma música de videojogo toca ali ao lado, enquanto o fumo do meu cigarro se dissipa no ar numa dança conjunta com o fumo do incenso de chocolate.
Continuo absorta em pensamentos. Em tudo o que Eva me confidenciou. Eva, a inexperiente. Eva, a instável, insegura. Eva, a intuitiva. Pensando bem, Eva assenta-lhe que nem uma luva. Tantas primeiras experiências num tão curto espaço de tempo.
 - Sabes Alice, com tudo o que aconteceu, dou por mim a pensar nele. Sinto saudades do seu sorriso fácil, das suas brincadeiras maliciosas. Aquela despreocupação fascinava-me. - Sim, entendo-te muito bem Eva. Nem imaginas o quanto. Mas ela continua a falar, aluada, alheada do que penso ou possa dizer-lhe.
 - Mas não é só isso, sabes? Ando descontente, desmotivada... sinto um peso no estômago porque parece que não consigo fazer nada para recuperar aquela alegria toda. E isso aborrece-me. Eu aborrecida, imagina! Além do mais, quem iria imaginar que eu iria passar por tanta coisa, e deixar andar tanta outra! Eu, Eva! Nem sei bem se me deva sentir orgulhosa ou encolher-me na vergonha dos meus sentimentos. - E uma vez mais aceno-lhe, enquanto liberto o fumo existente nos meus pulmões. Eva continua perdida no seu discurso, mas já não consigo ouvi-la de forma nítida. Eu mesma me perdi por entre pensamentos. Analiso tudo o que Eva me confidenciou, todas as suas decisões e continuo sem conseguir dar-lhe a resposta que ela tanto procura. Fez bem? Mal? A sua decisão foi a correcta?
 - Ei, Alice! Acorda, não me ouves?! Sei muito bem que a forma mais simples e despreocupada é fugir ao que incomoda, seguir o caminho mais rápido. Pensei em telefonar-lhe, sabes? Com a raiva do que aconteceu... Senti-me tão ferida, que estive com o telefone na mão, com o nome dele ali, no visor. Mas de todas as opções possíveis, optei por apagar o número dele. Desvinculei-me dele para sempre. Não seria justo para ninguém, não é? Se lhe telefonasse, estaria a usá-lo para me vingar da mágoa que senti. Mas ele não foi o responsável por essa mágoa toda. E nem iria saber que tinha existido essa mágoa. E vingar-me de quê? Se depois só tu irias saber o que tinha acontecido? - Eva continua a disparar em todas as direcções as suas questões  pertinentes e sem respostas. Continua a enredar-me nas suas dúvidas e na tal mágoa que a persegue e da qual não se consegue libertar. Apercebo-me disso, quando ela me fala saudosa da sua alegria. Mas eu já lhe tinha dito isso, cada momento da sua vida é importante à sua maneira, seja ele bom ou mau.
 - Eva, Eva... sabes perfeitamente que todas as tuas acções têm prós e contras. Ele magoou-te, mas optaste por seguir em frente com ele. E nenhuma vingança, nenhuma chamada, nenhum encontro com o passado iria apagar o que ele te fez. Fizeste bem em apagar o número. Tu não és como ele. És tu. Sincera, pura. Se lhe fizesses o mesmo o máximo que conseguirias era sentir-te culpada e igualmente suja, se é que ele sente alguma coisa desse género. - Eva fica a olhar para mim, espantada. - Sim, por vezes penso que ele só te usa. Que faz um esforço aqui e ali de ir contra a sua própria vontade, como que numa espécie de investimento futuro. É um miúdo, no fundo... por vezes lembra-me aqueles fedelhos mimados que apenas estão bem quando têm o que querem ou quando as coisas lhes correm de feição. Fora isso, reclama com tudo, bate com os pés no chão, dá murros na mesa porque uma gota de água lhe parece um oceano. Mas foi isso que desejaste para ti, não foi Eva? Acreditaste piamente nas suas palavras e acções em tempos idos, que ele era o teu príncipe encantado, mas vês agora que não passa de um sapo mascarado. - Eva está incrédula a olhar para mim, prende atrás da orelha uma madeixa dourada rebelde e engole em seco. Sim, no fundo ela concorda comigo. Só nunca foi capaz de o expressar, nem mesmo comigo. Por vezes esse é o único escudo do ser humano, proteger-se até mesmo do seu consciente, para evitar a mágoa imediata. Embora saiba contudo que, prolongando isso no tempo, a mágoa será ainda maior. Mas desejando no fundo que esse escudo se torne real e que com o tempo, tudo o que sabemos real, não passe de um infundado receio.
 - Nunca foste tão sincera assim comigo Alice... E não tinha a mínima noção que pensavas assim de tudo isto. Pensei que estavas bem, feliz e... 
 - E nada. - interrompo-lhe. - As coisas são como são. Acontecem e não há nada que faça o tempo voltar atrás. Sabes que optei pelo silêncio. Até contigo Eva, me tenho mantido em silêncio. Escuto-te claro, e tento acalmar-te, mas voltei a subir os muros. Não quero que te magoes mais, por isso não penses mais. Prepara-te para o pior e só assim terás o sabor requintado de toda e qualquer pequena alegria que porventura apareça pelo caminho.
Eva esboça um sorriso terno. Observo-lhe o semblante muito mais leve, como que finalmente tivesse sido desmascarada mas por quem não lhe oferece perigo, eu. Observo-a enquanto suspira. Traz os cabelos dourados soltos, com caracóis largos feitos pelo ferro de frisar. Parece uma menina vestida de rosa pálido, com um vestido de organza de várias camadas que dão volume às saias rodadas. O vestido tem corte de império, evidencia-lhe o peito pequeno e cai até pouco acima dos joelhos. Olhando assim para ela, parece que este ano não teve nada que lhe afectasse. Incrível como nos escondemos dentro de nós próprios.
 - Bem! - Eva levanta-se de repente começando a saltitar no meu quarto. - O que esperas? São 18 horas neste preciso momento. Vá, anda lá! Vou ajudar-te na tua toilette. Sim, sim... sei que não vais a lado nenhum especial, mas tu és especial Alice! Parece que andamos trocadas, não é? Eu aqui toda arranjada e cheia de dúvidas e tu tão consciente e racional, mas sem vontade para nada! Não pode ser, não é? - E com isto abre as portas e segue para o closet para remexer em casacos, vestidos, blusas, saias...
Suspiro a olhar para ela e quase me dá vontade de rir ao observá-la com tanta energia. Mas não me levanto. Fumo mais um cigarro e mergulho novamente nos devaneios iniciais de Eva. Porque haveria eu de me arranjar e produzir para ele, quando tanta mágoa provocou nela? Será que ele consegue sequer imaginar?
 - Eeeei! Então Alice? Mexe-te vá! Olha as horas, não o vais deixar à espera, ou vais? - E com isto torce o nariz, sabendo que, se eu me atrasasse, não iria ficar minimamente preocupada. E ri-se, enquanto diz em silêncio "Sua peste!", e pisca-me o olho.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Do you know what this means?


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Dói

Dói. Uma dor que aperta os pulmões e me impede de respirar. Dói. Uma dor que me deixa dormente, mas que não me deixa dormir. Dói. Uma dor que não se sente e que me tira qualquer vontade de viver, de falar, de ver. Dói. Esta dor atroz de perder a esperança. Em pessoas, em situações, em mim.

Chorei e gritei, angustiada, desesperada. Mas agora dói. Dói por não conseguir mais chorar. Por não conseguir ver nada além do negro. Dói pela falta de continuidade, pela falta de crença, dói por nem o recomeçar me parecer o correcto a fazer.

Dói. Dói este silêncio ensurdecedor. Esta inactividade, esta passividade. Dói, esta destruição de sonhos e desejos. Dói ao ponto de querer sentir dor física para atenuar esta dor fulminante.

Fui toda coração. Dói agora pensar que sou apenas dor. Dói saber que sou e me sinto nada em parte alguma. Dói. Sentir esta dor que me faz sentir dor alguma. Dói sentir o ar e não respirar. Ter tacto e não sentir algo palpável. Dói ter cheiro e não sentir qualquer fragrância. Dói. Dói saber que quando vejo o meu semblante num espelho, não ser apenas um escudo. Sou eu, dor em estado puro sem qualquer vislumbre de alegria, felicidade, vitalidade.

Dói. Os longos cabelos da Alice deixaram de ser dourados. O eterno palácio da Alice deixou de ter memórias para ter fantasmas. Dói esta dor de ver a Alice morrer.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

The good and the bad

It's like you're screaming but no one can hear. You almost feel ashamed that someone could be that important, that without them, you feel like nothing. No one will ever understand how much it hurts. You feel hopeless, like nothing can save you. And when it's over and it's gone, you almost wish that you could have all that bad stuff back so you can have the good...

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Remember?

Sinto falta destes dias. Onde nada além do que sentíamos interessava. Relembro palavras, passagens no Metro com Gotan Project de fundo. Sorrisos e ansiedades. Receios e inseguranças. O doce e quente prazer de procurar e ser procurado. Um café à noite, um chá pela manhã. A naturalidade da fluidez das palavras, o conforto existente através de um toque quente. Quase que dói, desejar de volta com tanta intensidade esses dias.
Perdemo-nos em rotinas, quotidianos, esqueceu-se a paixão, a pequena surpresa, o desejo, o sorriso. Amamos porque faz sentido? Ou porque fica bem? Porque as nossas almas há muito que planearam este encontro de corpos? Ou porque a preguiça assim o obriga?
Onde ficou o amor demonstrado, em qualquer lugar, sem vergonhas? Onde ficaram as pequenas e saborosas surpresas?
Tudo me parece longe, tempos idos, sonhos que se desvaneceram. Deixou de haver a tulipa, a carta, o grito na rua, a dança no supermercado, o sorriso escondido no café, o toque subtil no carro, a ansiedade demonstrada, o desejo por consumar, a confiança na estabilidade, a conquista. Tudo agora parece o certo, o consumado, o garantido. Tudo agora está aborrecido, porque assim tem de ser, porque tudo muda. Onde está a paixão, o prazer de conquistar a cada dia? Desapareceu o inesperado bom, o brilho no olhar, a sensação de ser amado com intensidade. Tudo parece já não como um bem, mas como um mal necessário e adquirido...

Tudo isto me lembra um grande navio impossível de afundar, um Titanic.

Vamo-nos ficar no gelo, ou entramos num salva-vidas?

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Your body is a Wonderland


Saudades.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Momentos

A Vida é feita de momentos. Que duram o que duram. Que deixam saudade - ou assim esperamos. Não existe mais o conto de fadas de felizes para todo o sempre.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Same old

Espreguiço-me, embora não pelos motivos que ambos conhecemos. Espreguiço-me ao deixar fluir para fora de mim toda esta inércia, esta apatia, esta letargia que se apoderou de mim. Espreguiço-me para que outros sentimentos tomem lugar, o meu brilho, o meu sorriso, a minha energia, a minha determinação.
Sim, sou bastante determinada. Traço objectivos com frequência já que, correndo o risco de não haver ninguém do meu lado, vão ser essas pequenas vitórias que me vão dar energia para continuar. Para querer, desejar mais e melhor para mim.
"O que um não quer, dois não fazem" - Foi das expressões por ti proferidas que mais me marcaram e de facto concordo plenamente. Isto de remar constantemente contra a maré é cansativo, aborrecido e não leva a lugar algum. Por isso deixo de o fazer. Sim, desisto. Não detecto em ti a mesma importância que atribuo ao mesmo assunto, à mesma situação. Detecto aliás extremos opostos e... não quero isso para mim.
Posso chorar, gritar, desfalecer, mas se há alguém habituada a isso - não duvides - sou eu. "Bate forte, mas passa depressa" disse-me alguém outrora. No meu caso além de bater forte, passa horrivelmente devagar, mas não me derruba. Nada nem ninguém me derruba. Sou como aquelas frases feitas de Facebook "Algo frágil parte facilmente, mas também corta" ou "Derrubaste-me? Então antes que eu me levante, começa a correr". A mágoa é atroz, mas também faculta uma força imensa. E já que preferes ficar resguardado para te protegeres do que tu mesmo provocas em vez de provares o que realmente vale a pena, que assim seja.
Eu nada te tenho a provar, sabes de tudo. E nada tenho a relembrar, pelo que ficarei no silêncio. Sim, podes reclamar, ameaçar à vontade. Tanta vez o fazes, que começo a ficar imune. És como uma vacina, vírus e antídoto juntos = imunidade. Estarei por aqui, mais concentrada no meu trabalho, mais empenhada no meu palácio e na minha descendência. Irei ouvir a minha música, dançar com ela, rir muito. Irei retomar a arte nas minhas mãos, já que deixei tanta coisa para trás em vão. Já que abdiquei de coisas vitais à minha sobrevivência e agora terei de passar sem elas, a bem ou a mal.
A culpa não é tua porém. Regressei aos meus tempos primordiais de Alice menina, que caiu num mundo de fantasia. Mas agora acordei e regresso lentamente à realidade crua. Nada de comparações ou sacos comuns. O julgamento é feito de forma simples e sucinta. Julgadas muitas palavras, poucas acções, demasiadas mágoas e ausências, poucos sorrisos e presenças. Nada mais.
O sol brilha novamente amanhã, mesmo que escondido pelas nuvens. E quando estas dissiparem, cá estarei eu a absorver toda a sua energia, a sorrir de olhos fechados e rosto sereno, com os meus cabelos de ouro a esvoaçarem com a brisa suave do final de Primavera.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Boa memória e os seus dissabores

Enquanto caminho pela praia, penso em tudo o que fomos, o que dissemos, o que prometemos e o que já fizemos ou ficámos por fazer. Logicamente, sei bem que temos momentos que deveriam ser eternos, porque te amo, porque me sinto bem contigo, porque temos tanta cumplicidade juntos. Infelizmente, a boa memória faz com que se relembrem situações menos boas, aquelas que ferem, magoam, as que por mais que se queira, são impossíveis igualmente de esquecer.
Palavras, palavras... tão lindas de ouvir, tão lindas de ler, mas mais importante, maravilhosas quando realizadas. Se exijo muito? Talvez... contento-me sempre e apenas com o que julgo ser melhor para mim e isso falhando, não estando nas minhas mãos para o mudar, torna-se a pouco e pouco algo que incomoda, perturba.
Ainda há pouco me disseram "Tens andado tão em baixo ultimamente..." - Pois tenho. A minha determinação de nada vale na actualidade e o sentimento de impotência deixa-me assim, apática, triste, estagnada no tempo.
A brisa do mar arrepia-me, a humidade penetra na minha pele anunciando uma noite fresca, relembrando que são horas de regressar. Parto em direcção ao carro, com a sensação que, desta vez, nada o mar levou embora da minha mente. Sinto a areia fria nos meus pés, com a esperança que o que me atormenta se estilhasse em grãos de areia, mas em vão. Chego ao carro e, sentada no banco sacudindo a areia teimosa dos pés, chego à conclusão que vou continuar a sentir-me assim por tempo indeterminado e que, o que realmente me incomoda, é andar a perder tanto tempo com o que nunca esteve de facto nas minhas mãos. Apercebo-me que, talvez não atribuindo tanta importância ao que me incomoda, talvez deixe de incomodar tanto. No entanto, há sempre o risco de deixar de incomodar... ou de fazer sentido.
Preciso do meu humor, da minha determinação, da minha força, da minha vontade, da minha gargalhada e do brilho no meu olhar, preciso regressar à Terra, deixar mundos e ideias de sonho que a nada levam.
Ligo o carro e ponho-me a caminho, mas reparo que estou perdida. Alguém me consegue encontrar?

domingo, 27 de maio de 2012

Perdida

Estou perdida num limbo doloroso, sem saber em que direcção seguir. Se por um lado te amo e não faz sentido que me afaste de quem amo, por outro lado, não faz sentido igualmente sentir receio de falar abertamente contigo (quando sempre foi algo que gostei no nosso relacionamento), ou de andar em constante angustia por não saber como agir.
Uma relação é para supostamente duas pessoas estarem bem, não para uma estar em constante sofrimento, angustiada ou receosa. Não quero, não sei viver assim, não sou assim. Estou sem forças para esta batalha na minha mente, se devo falar ou não, se devo expressar ou não, se devo viver ou não, se devo deixar andar ou não.
Quem sou eu que não me reconheço?! Onde me perdi no meio de tudo isto? Não sei quem sou. A Alice segura, decidida, determinada, está a desvanecer-se a passos largos numa menina assustada. Onde fiquei?
Cansada de me sentir sempre exausta, sem nunca conseguir entender o que é certo e errado. Onde me pergunto por tudo quando nunca fui de perguntar e sim de viver. Quero-me de volta, egoísta a pensar primeiro em mim e depois nos outros. Quero o meu regresso, onde não me sinto dependente de ninguém. Quero o meu eu, a minha força de vida, a minha vitalidade. Quero encontrar-me novamente.

sábado, 26 de maio de 2012

Flash

Flash, momento em que nos transportamos para algo no passado. Em que recordamos algo, bom ou mau, Opto mais por recordar o bom, até porque para mau poderemos ter vivências actuais. Relembro as tuas palavras, os teus toques, a tua sedução. Relembro o beijo, o sussurro, o gemido. A temperatura corporal a subir, a junção de pele com pele, dois corpos tornarem-se num só.
A tua provocação que me deixa virada do avesso, de sorriso travesso, o teu olhar que percorre cada centímetro meu. Fico ansiosa por te ver,  por sentir aquele baque no peito pela antecipação do desejo que me provocas. Querer realizar qualquer fantasia contigo, sentir-me excitada apenas ao pensar em ti. O Mundo desaparece quando estou contigo. Ficamos apenas nós, o nosso desejo, o nosso sorriso. Tudo mais desaparece num flash até ao êxtase do momento em que nos consumimos por inteiro, onde suores e fluidos se juntam em uníssono com a nossa paixão devorada. 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Balanço


O que deveria ser um bom cálice de tinto, numa boa companhia, música ambiente e conversa agradável, está lentamente a fragmentar-se... Afasta-nos do líquido aveludado, do sabor único. 
É necessária a mudança... por enquanto mantém-se apenas fragmentado, quando se estilhaçar, não existirá como retomar a forma original. Perder-se-á o cálice, o tinto e tudo o que se viveu. Sou uma crente no entanto, ainda acredito...

terça-feira, 24 de abril de 2012

Viver é etc...

Viver é etecetera. Viver é rir, chorar, gritar, conversar, amar, sentir frio, calor. É ter, é desejar, é acreditar. Olho através da janela do meu palácio, sinto o sol deste fim de tarde que me aquece a pele, sinto aquela estranha sensação no peito, que nunca se sabe ao certo se é bom ou mau. Preparo-me para sair e para te encarar, com toda a mágoa, desejo e sentimento que te tenho. Até já... 

sábado, 14 de abril de 2012

Tender

Necessito de te tocar. Sentir o teu rosto na palma da minha mão. Necessito de deixar rolar as lágrimas teimosas que insistem em ficar escondidas. Preciso por demais, confirmar que o meu chão não fugiu, que tudo permanece calmo após a tempestade e sem grandes estragos.
Agarro-me ao único objecto que tenho com o teu cheiro, mas nem isso me acalma nem me faz sentir a tua presença... ou melhor, calma estou. Presa numa inércia ausente de emoções.
Nada disto devia ter acontecido... O nosso mar agitou-se provocando ondas enormes que nos levou de encontro às rochas. E ainda me questiono... existe o Nós? Alguma vez existiu? Percorro todo o meu palácio, entro em cada recanto, busco memórias da tua presença, relembro palavras proferidas, gestos realizados, olhares trocados.
Onde estás? Estou aprisionada na sensação que sonhos e planos ficaram adiados como que suspensos no tempo, onde uma cruel realidade se impôs entre nós... tenho de te ter nos meus braços, ouvir-te dizer-me baixinho que nada se alterou, que tudo continua no seu percurso natural. Tenho de sentir o calor do teu abraço, mais do que sentir o teu beijo. Tenho de sentir a solidez do teu abraço, mais do que sentir o teu desejo. Tenho de sentir o teu amor, mais do que a tua paixão. Quero o doce, o calmo, a plenitude da nossa estabilidade... inabalável mesmo após a tempestade.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Reencontros

Cada reencontro contigo é um misto de emoções. É o sorriso ao ver-te fazer a última curva, é o brilho no olhar quando te vejo a caminhar na minha direcção com um sorriso impossível de conter, é o abraço forte que nos completa nesse preciso instante, em que nos perdemos nos braços um do outro, absortos nos nossos pensamentos idênticos... Senti a tua falta. E ainda agora, passada pouco mais de uma hora, já os pulmões tendem a fechar, a aguardar impacientemente pelo instante que te terei nos meus braços novamente.
Não resisti em tirar aquelas fotos, em sentir o teu cheiro em todo o meu corpo, ao saber que o teu coração iria acelerar no preciso instante em que as começasses a visualizar. Em cada foto, senti-te bem perto de mim, os teus braços enlaçados na minha cintura, a tua respiração no meu ouvido, a minha pele arrepiada por puro prazer pela brisa amena do teu sussurro...
Ver-te tão aceite na minha vida delicia-me, as brincadeiras, as gargalhadas... Ainda não atingimos a perfeição dos quatro, mas não me parece que estejamos longe.
Amo-te por todas as razões e mais uma... sábias palavras de Joaquim Pessoa... amo-te por tudo o que és, o que não és e o que ambicionas ser. Anseio por ti, em ter-te comigo, na suite do meu palácio, perdido em carícias dadas pela passagem das minhas mãos no teu corpo, a delirar de pele arrepiada sempre que a minha língua te toca...
Anseio em fechar os olhos e entregar-me de corpo e alma a ti, onde redescobres cada recanto meu, onde sinto o calor das tuas mãos a deslizarem por mim, onde quase perco os sentidos quando a tua língua me toca.
Restam-me estes flash's em memórias recentes, onde te reencontro na minha mente, nos meus sonhos, até poder finalmente abraçar-te de novo.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Metamorfose

A minha ansiedade cresce a cada minuto que se arrasta no tempo... Conto cada segundo de forma decrescente para poder finalmente ver o teu olhar, o teu sorriso, sentir o calor que emanas do teu corpo e que me aquece a alma. Sei que irei estar a chegar e hei-de sorrir a olhar para aquele rio. Sei que assim que o meu olhar te encontrar, mesmo que ainda distantes, vais derreter qualquer réstia de gelo que traga em mim.
A saudade aperta, mesmo após alguns minutos de ausência... e durante esta ausência prolongada apenas te trago no pensamento. Escuto-te a voz, oiço a tua gargalhada, o teu sussurro... consigo ver o teu rosto, o brilho do teu olhar, consigo sentir o calor do teu toque...
Transformaste a Alice, uma mulher desprendida de envolvimentos emocionais, numa menina protegida nos teus braços, que anseia por todo o amor e carinho que tens para lhe oferecer... numa menina travessa, ansiosa de te prender as mãos e te fazer delirar com o seu toque... numa menina pestinha, desejosa de te trancar entre pernas e gemidos que te levam ao rubro de pleno êxtase...
Sim, transformaste a Alice, uma mulher fria e apenas com desejos carnais, numa menina-mulher completa, amada e capaz de amar. Ainda longe da perfeição com os seus receios no desconhecido, mas que ainda assim caminha segura de venda no rosto, confiante no que lhe transmites.
Contigo caminho de mãos dadas, onde quer que o nosso caminho nos leve... amo-te e neste momento, apenas anseio pelo calor do teu abraço. Tudo o resto é secundário, tudo o resto pode parar no tempo...

Atrocious

O que é o amor se não um pau de dois bicos? Sinto-me amada, protegida, mas ao mesmo tempo e em situação de discórdia, qualquer coisa que me digas provoca-me uma dor atroz que me chega aos ossos...
Amo-te, não de uma forma que jamais pensei voltar a sentir, pois o que sinto por ti vai além do que já senti no passado. É algo novo que me desarmou qualquer defesa, deixando-me vulnerável a tudo de bom e de mau. Quando estamos bem (e felizmente é 99% do tempo), o que sinto é maravilhoso... sinto-me calma, protegida, amada,feliz, tranquila. Temos um entendimento quase para lá do perfeito. Incendeias-me apenas com o toque da tua língua nos meus lábios, com a passagem da tua mão na minha pele, com o encaixe perfeito com que unimos os corpos. Contigo saboreio o êxtase, só o teu sussurro no meu ouvido me faz arrepiar a pele e os meus joelhos quererem falhar.
Desejo-te. Não apenas fisicamente. Como referes, o nosso envolvimento físico é apenas um complemento ao que sentimos. Anseio por ti, sinto a tua falta no instante seguinte ao deixar de te ver. Não... impossível desejar-te apenas por físico, sexo. Contigo perco noção das horas apenas a conversar acerca de banalidades do dia-a-dia, sem considerar que perdemos tempo em conversa fiada. O sentimento de perda apenas existe quando não estás presente. Fico desorientada, sem parte de mim. Parece que um dos meus pulmões falha no meu respirar, parece que fica um vácuo no seu lugar...
E, quando o pior acontece, quando não te tenho junto a mim e acontece um desentendimento, deixo simplesmente de funcionar. Os pulmões falham, o coração pára, as pernas não querem andar nem a boca consegue falar. Escorrem-me lágrimas no rosto, que a dor solta de modo a ser ligeiramente aliviada, sinto um grito mudo a querer formar-se, impedido por um nó na garganta...
Este desconhecido assusta-me. Este sentimento avassalador, que me transforma em "toda coração". Não quero sentir o receio de te perder, mesmo que seja totalmente infundado. Não quero guardar o bom do meu coração por dentro, deixando apenas o mau das minhas defesas cá fora.
Quero a aliança contigo construída, a parceria inabalável que temos mutuamente, quero a base sólida que construímos. Quero a ausência desta dor atroz que me consome em lágrimas até à exaustão emocional.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Conta Comigo Sempre

"Conta comigo sempre. Desde a sílaba inicial até à última gota de sangue. Venho do silêncio incerto do poema e sou, umas vezes constelação e outras vezes árvore, tantas vezes equilíbrio, outras tantas tempestade. A nossa memória é um mistério, recordo-me de uma música maravilhosa que nunca ouvi, na qual consigo distinguir com clareza as flautas, os violinos, o oboé.
O sonho é, e será sempre e apenas, dos vivos, dos que mastigam o pão amadurecido da dúvida e a carne deslumbrada das pupilas. Estou entre vazios e plenitudes, encho as mãos com uma fragilidade que é um pássaro sábio e distraído que se aninha no coração e se alimenta de amor, esse amor acima do desejo, bem acima do sofrimento.
Conta comigo sempre. Piso as mesmas pedras que tu pisas, ergo-me da face da mesma moeda em que te reconheço, contigo quero festejar dias antigos e os dias que hão-de vir, contigo repartirei também a minha fome mas, e sobretudo, repartirei até o que é indivisível. Tu sabes onde estou.
Sabes como me chamo. Estarei presente quando já mais ninguém estiver contigo, quando chegar a hora decisiva e não encontrares mais esperança, quando a tua antiga coragem vacilar. Caminharei a teu lado. Haverá, decerto, algumas flores derrubadas, mas haverá igualmente um sol limpo que interrogará as tuas mãos e que te ajudará a encontrar, entre as respostas possíveis, as mais humildes, quero eu dizer, as mais sábias e as mais livres.
Conta comigo. Sempre. "

segunda-feira, 26 de março de 2012

Heart

Contigo tudo é simples. Perdemos noção do tempo em conversas prolongadas de tudo e de nada. Conversamos, sorrimos, sussurramos. Até que se vira o jogo. Um toque meu, um toque teu. Temos dois corpos incendiados em prazer.
Referi-te que o que me fazes sentir, é que - com o teu toque - todas as sensações e sentimento que tenho por ti, se alocam automaticamente sob a forma de prazer intenso, ao ponto de me deixares zonza, dormente, extasiada mesmo antes do êxtase consumado.
Contigo o meu corpo ganha vida, o cérebro desliga, o coração comanda. Contorce-se e roça-se em ti, para te sentir com subtileza, de modo a nos deixar como vulcões em erupção. Compreendes cada movimento do meu corpo, cada espasmo, cada gemido. Acompanhas-me numa sinfonia louca, mas bem dirigida. Encaixas em mim como uma luva feita à medida. Realmente como diz o escritor, perco a noção da minha anatomia sempre que penso e estou contigo... sou toda coração.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Tattooed

Tatuaste a minha alma. Acordo a pensar em ti, trago-te no peito todo o dia até adormecer. Sonho contigo. Anseio por cada toque teu, sempre delicado, apreciativo. Agrada-me o silêncio com que comunicamos, um simples olhar diz-nos tanto...
Tenho fome, sede de ti. Cada dia um pouco mais. Deliro ao pensar na tua língua a passar suavemente pelos meus lábios, a forma como exploras cada recanto do meu corpo, cada curva, cada centímetro de pele. Fico desorientada sempre que me assaltam memórias recentes, sempre que recordo cada toque, cada palavra, cada gesto teu. Viciante, eu? Estás tatuado na minha alma, impossível viver sem ti agora.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Up Side Down

Entraste na minha vida por um acaso, envolveste-me, desejaste-me, cativaste-me, derrubaste as maiores barreiras por mim criadas e viraste tudo do avesso. Quero-te, já! Vejo-me enleada em pensamentos travessos, passo rapidamente do ponto rebuçado para um estado de ebulição de pura calamidade. Sinto-me perdida, sem posição, sem palavras, sem acção e em simultâneo tão activa que mal me contenho quieta.
Desejo o teu cheiro, a tua voz, o teu toque, o beijo, a mordida, a parede, a cama. Desejo as roupas caídas ao acaso, sem cuidado, não importam. Desejo o teu desejo por mim, aqui, ali, não interessa. Quero-te, já! A minha língua na tua, mãos trancadas por dedos entrelaçados, toques, sussurros e gemidos impossíveis de conter. Quero tudo do avesso, de pernas para o ar, quero sentir o máximo dos máximos tão complicado já de si de suportar. Quero a paz, a calma seguinte, o toque como uma suave brisa, como uma pena de gaivota que passa na pele, o adormecer reconfortante no teu calor. Quero-te, já! Vira-me do avesso, agora, hoje e sempre.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Tender passion

Perdi-me no som da tua voz, no cheiro da tua pele, na sensação do teu toque, no doce do teu beijo, no brilho do teu olhar, na suavidade do teu sorriso. Cativas a minha atenção, mantens-me a sorrir enquanto bebo as tuas palavras.
Gosto-te. Simplesmente porque sim. Fazes-me pensar que talvez nem tudo seja como sempre pensei que fosse. Fazes-me querer mudar as minhas próprias directrizes de vida. Quero conhecer-te mais, tocar-te mais, ouvir-te mais. Quero que me faças acreditar que é possível.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Wondering in Wonderland

Levas-me a ficar aluada, de pensamento distante com a alma elevada por inúmeras borboletas. Este Carnaval promete um sabor especial e sendo contraditório, sem máscaras. Sem surpresas. Expectativas? Muitas. Mas expectativas boas, aquelas que nos fazem cócegas por dentro à medida que se sente um calor morno a aflorar-nos a pele. Já te disse que gosto do teu olhar? Terno e duro ao mesmo mesmo. Gosto do desenho das tuas sobrancelhas. Fantasio constantemente com o teu toque a electrificar-me a pele, aquele murmurinho de um coração acelerado, a face a ficar ruborizada... Sinto aquela confiança que se conquista a pouco e pouco, de menina pequena e insegura e ao mesmo tempo mulher sensual e sedutora. Fico tonta com estas sensações vertiginosas, opostas mas que se complementam. Só me apetece fechar os olhos, permitir que este calor me assole corpo e alma e deixar-me levar. Nada de vôos, quero apenas flutuar ao sabor de uma maré calma e sustentada. Quero tocar no teu rosto. Quero ver o teu sorriso num silêncio com tantas palavras nele inscritas. Sonho acordada, com uma noite de Carnaval, no meu país das maravilhas.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Concretizações?

Rendemo-nos a memórias passadas, a desejos nunca concretizados, a um querer ter sem ter nunca tido. Um beijo feroz, uma vontade adormecida, um deslize de alça, um recosto para trás e mente apagada de realidades. O desejo toma conta, a temperatura aquece, o toque electrifica, a respiração acelerada anuncia o que nos vai na alma. As nossas confidências fazem com que o entendimento seja uma sinfonia perfeita, o riso, as palavras, a pele arrepiada, o à vontade como se não fosse algo novo, mas com toda a energia de uma novidade.
Nada nos prende, nada nos demove. Agarramo-nos às nossas decisões com unhas e dentes. Não há "até amanhã", nem o "ligo-te depois". Há apenas um momento parado no tempo que passa a ocupar um pedacinho da nossa memória. As suposições caem por terra, a fasquia elevada deixa de existir, para o bem ou para o mal. Há apenas a concretização de um desejo escondido há muito. Resultou bem? Para mim, sem dúvida. Ah! E sim, adoro provocar-te.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Passion is Bliss

"I've disappeared from myself and my attributes, I am present only for you. I've forgotten all my learnings, but from knowing you I've become a scholar. I've lost all my strength, but from your power I am able. I love myself... I love you. I love you... I love myself. I desire you more than food or drink. My body, my senses, my mind, hunger for your taste. I can sense your presence in my heart, although you belong to all the world. I wait with silent passion for one gesture, one glance... from you."

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Wisper

Consegues ouvir o sussurro como uma brisa a percorrer-te a espinha? Consegues sentir o toque dos meus dedos na tua pele como o suave toque da seda? Ainda que ausente, sinto a tua presença todos os dias, os risos, os toques, as palavras, a troca de olhares. Relembro o teu olhar sedutor, o teu sorriso travesso, a mão no bolso, o "boa tarde" sussurrado, o levantar do meu vestido, a parede fria, o beijo quente, a respiração a acelerar, os gemidos que anunciam...
Preciso sentir o teu corpo colado ao meu novamente, com o cheiro suave de morango, com os saltos altos, a ausência de lingerie num qualquer jantar. Necessito de sentir novamente o aroma da tua pele, sentir a electricidade no ar, a paixão que sobe pelo beijo roubado que não queria dar.
Saio do duche quente, com a pele envolta em vapor, cabelos de ouro molhados e perfume suave que não é o teu. Mas não anseio a tua chegada... prefiro o doce das minhas utopias, ao toque frio e sem sabor das tuas realidades. Pediste-me para te deixar entrar, mas até agora não te anunciaste à porta do meu palácio.
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